Com cerca de 1,8 milhões de portugueses a viver no estrangeiro, a emigração estabilizou nas 70 mil saídas anuais desde 2022, mantendo a diáspora como uma força económica, social e cultural relevante, especialmente em países como França, Suíça e Reino Unido.

Este número representa uma descida face ao período da crise financeira e dos programas de ajustamento, quando Portugal registava mais de 100 mil saídas por ano, com um pico de 120 mil emigrantes em 2013. De acordo com o Observatório da Emigração e dados compilados pela Pordata, a atual tendência é considerada mais sustentável e aproxima-se do ciclo histórico de mobilidade dos portugueses.

Segundo o relatório mais recente da Organização das Nações Unidas, Portugal ocupa agora a quinta posição entre os países com maior proporção de emigrantes em relação à população nacional, atrás da Bósnia-Herzegovina, Albânia, Lituânia e Moldávia. A mudança resulta de uma revisão metodológica internacional que reduziu a estimativa global de portugueses no estrangeiro de 2,1 para 1,8 milhões.

Do total de emigrantes portugueses, cerca de 1,3 milhões residem na Europa, com França a manter-se como o principal destino (577 mil), seguida da Suíça (203.700) e do Reino Unido (156.300). No continente americano, mais de 468 mil portugueses estão registados, com destaque para o Brasil, onde vivem aproximadamente 147 mil cidadãos nacionais, de acordo com o Observatório da Emigração.

Apesar da desaceleração dos fluxos de saída, o impacto económico da diáspora mantém-se elevado. Em 2024, os emigrantes portugueses enviaram para o país um total de 4,3 mil milhões de euros em remessas, o valor mais alto desde que há registo, segundo o Banco de Portugal. França e Suíça continuam a liderar no envio de remessas, com 1,109 mil milhões e 1,135 mil milhões de euros, respetivamente.

O perfil dos novos emigrantes tem-se tornado cada vez mais jovem e qualificado. Um estudo do CEFAP (Centro de Estudos da Federação Académica do Porto), publicado em 2025, indica que 73% dos estudantes universitários ponderam emigrar após o término da licenciatura, enquanto apenas 10% manifestam intenção de permanecer em Portugal. Os autores do estudo apontam que esta tendência representa um desafio estrutural, com possíveis perdas significativas em capital humano.

O desejo de regresso é comum entre as comunidades emigrantes, mas costuma ser condicionado por fatores económicos, fiscais e profissionais. Ainda assim, os emigrantes mantêm uma ligação ativa a Portugal, nomeadamente através de investimentos no mercado imobiliário, criação de negócios e participação em iniciativas culturais e associativas.

Portugal continua, em paralelo, a ser um país recetor de imigração. Segundo o Relatório Anual da AIMA referente a 2024, o país acolhe cerca de 1,6 milhões de estrangeiros residentes, o que reforça o papel de Portugal como espaço de circulação e intercâmbio populacional.

Num contexto de mobilidade cada vez mais complexo, a presença portuguesa no estrangeiro, enraizada há gerações em múltiplos continentes, continua a exercer um papel significativo no reforço da imagem externa de Portugal e no equilíbrio económico de diversas regiões.

Voto Electrónico

Escrevo antes das Eleições Presidenciais. Portanto, facilmente me esquivo à análise de resultados eleitorais que poderão ser muito mais relevantes

Ler Mais