O European Rocketry Challenge (EuRoC), a maior competição de foguetões universitários da Europa, organizada pela Agência Espacial Portuguesa, reuniu 28 equipas de 16 universidades europeias, entre elas quatro portuguesas, no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância. O evento, visa promover o ensino da engenharia aeroespacial, impulsionar carreiras e aproximar empresas do setor de jovens talentos.

 

A sexta edição do EuRoC, contou com equipas que projetaram e construíram foguetões de raiz, submetendo-os a rigorosos testes técnicos e de segurança supervisionados por especialistas e autoridades militares. As provas dividiram-se em duas categorias de alcance (até 3.000 e até 9.000 metros) e três tipos de propulsão: sólida, híbrida e líquida. As equipas foram avaliadas segundo critérios de design, inovação, voo e trabalho em grupo. A vencedora geral foi a Aerospace Team Graz, da Áustria, que atingiu 9.000 metros de altitude com um foguetão de motor híbrido.

Entre as equipas portuguesas, os Fénix Rocket Team, integrando alunos da Universidade da Beira Interior e da Universidade de Coimbra, regressaram ao EuRoC após um acidente em 2022. O grupo de 17 estudantes trabalhou durante um ano no desenvolvimento de um novo foguetão, enfrentando dificuldades logísticas e financeiras, mas obtendo aprovação nas inspeções técnicas. Apesar de o lançamento ter sido adiado, a equipa recebeu elogios pela perseverança e pelo contributo para o prestígio da engenharia portuguesa.

Além dos Fénix, participaram as NorthSpace, RED (Rocket Experiment Division) e Porto Space Team, ligadas ao Instituto Superior Técnico e à Universidade do Porto. A NorthSpace conseguiu efetuar o lançamento, embora o foguetão tenha sofrido uma explosão em voo. Ainda assim, o grupo destacou-se pela cooperação com outras equipas europeias e pelo espírito de superação.

De acordo com Marta Gonçalves, responsável pelo EuRoC na Agência Espacial Portuguesa, as equipas nacionais enfrentam limitações financeiras mais severas do que as suas congéneres estrangeiras, muitas das quais dispõem de orçamentos superiores e equipas de comunicação dedicadas. Mesmo assim, “os estudantes portugueses compensam com talento, criatividade e grande capacidade de adaptação”, afirmou. Empresas como a Gislotica, de Matosinhos, têm apoiado os projetos com materiais e mentoria técnica.

O EuRoC é também uma plataforma de empregabilidade, já que empresas aeroespaciais internacionais visitam as equipas durante o evento para identificar novos talentos. Vários estudantes recebem propostas de trabalho ou estágios após a competição, o que transforma o desafio num viveiro de futuros engenheiros espaciais europeus.

Com quatro equipas participantes, Portugal foi o país mais representado na edição de 2025, reforçando o seu papel crescente no setor aeroespacial europeu. O evento também sublinha o potencial do país neste domínio, em particular com o desenvolvimento do porto espacial dos Açores, em Santa Maria, liderado pelo Atlantic Spaceport Consortium, parceiro da organização.

Esta edição do EuRoC evidenciou a determinação, engenho e qualidade técnica dos jovens engenheiros portugueses, que, apesar dos recursos limitados, demonstraram estar prontos para competir ao mais alto nível da indústria aeroespacial europeia.