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Portugal e Brasil – violas de arame, elos de cultura

 O dia 22 de abril foi escolhido como o Dia da Comunidade Luso-Brasileira e do Descobrimento do Brasil. Para uma portuguesa que mora no sertão do Brasil isso significa… que é uma portuguesa trabalhando no único programa de conservação de onças da Caatinga baiana – como, aliás, faz em todos os outros dias do ano.

Mas quando essa portuguesa tem interesses (e sobretudo, amigos) além do interesse maior que é a ciência, a construção e o revelar do conhecimento, dia 22 de abril é, mesmo à distância de 1602,5 km, um dos dias em que gostaria de assistir Brasil e Portugal serem representados por um dos principais símbolos da grandeza de suas culturas: a música, tocada pelas mãos de um violeiro especialíssimo de Minas Gerais, em seu instrumento, a viola caipira, uma das violas de arame que são, na verdade, dos instrumentos mais importantes e representativos da lusofonia.

Chico Lobo, natural de São João Del Rei, ganhador do Prêmio Profissionais da Música 2016, como Melhor Artista Raiz Regional, há dez anos que mantém parceria nas cordas da viola com Portugal. Lançou, cá e lá, em 2013, com Pedro Mestre, o DVD “De Minas ao Alentejo”, show e documentário[1], tem em seu currículo mais de 20 CDs, dois DVDs e o livro “Conversa de Violeiro – Tradição e Crenças de Um Instrumento com a Alma do Brasil”. Em 2015 organizou, integrada na Virada Cultural de Belo Horizonte, a I Mostra Internacional de Violas de Arame do Brasil[2]. Trouxe Pedro Mestre, José Barros, Vítor Sardinha e Eduardo Costa. Cada um deles representa uma diferente viola portuguesa de uma diferente região de Portugal (campaniça, de Castro Verde, Baixo Alentejo; braguesa, de Braga; madeirense, da Ilha da Madeira; e, amarantina, de Amarante, distrito do Porto). Fará uma II Mostra este ano, em Belo Horizonte, com a presença de quatro violeiros portugueses, cujos nomes saberemos em breve.

Se é verdade que quase todos reconhecem o Brasil como um país musical, nem todos sabem que a viola caipira descende das nossas violas. Ivan Vilela produziu um artigo excelente a respeito, cuja leitura recomendo[3]. Existe um movimento para afirmar a viola de arame como instrumento nacional para ambos os países, um bem cultural de um patrimônio histórico presente nos dois lados do Atlântico.

Enquanto isso não acontece, todos estão trabalhando muito para manter viva a tradição musical dos dois países e reinventá-la a cada passo – e você, português da diáspora ou dentro fronteiras, quanto efetivamente valoriza sua herança?

Saiba mais através deles. A partir de nosso querido Chico[4], encontra os artistas que aqui menciono e outros embaixadores dessa grande nação sem fronteiras que se chama Música, através do diálogo de suas violas que se reconhecem como família.

Portugal no Brasil – cordas que ninguém quer desamarrar. Assentes na beleza da arte, no encanto da música e na força da tradição.

 

[1] Veja também: http://inconfidencia.mg.gov.br/modules/news/article.php?storyid=2309

[2] Fontes: https://www.youtube.com/watch?v=Dguyaq8I1UE

https://barulhodeagua.com/tag/i-mostra-internacional-de-violas-de-arame/

[3] Revista Estudos Avançados, vol. 24, no. 69, São Paulo, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142010000200021&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt

[4] https://www.facebook.com/chico.lobo.14