Em 2025, 152 obras de mais de 80 autores de língua portuguesa serão traduzidas para 41 idiomas distintos, com apoio da Linha de Apoio à Tradução e Edição (LATE). O programa é promovido pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

 

O valor global do apoio ultrapassa os 278 mil euros, um aumento de 13 mil euros face ao ano anterior. Este investimento envolve 103 editoras de 43 países, refletindo o alcance internacional crescente. Em comparação com 2024, houve um aumento de 19 obras apoiadas, a expansão de traduções de 32 para 41 línguas, e o número de países envolvidos subiu de 42 para 43.

O programa tem como objetivo a internacionalização da literatura em língua portuguesa, incentivando a exportação cultural e reforçando a presença de autores de Portugal, África e Timor-Leste no mercado editorial mundial.

Entre os idiomas contemplados, o espanhol lidera com 36 traduções, abrangendo editoras em Espanha e na América Latina, incluindo Argentina, Colômbia, Costa Rica, México, Peru e República Dominicana. A Argentina destacou-se com 12 candidaturas de editoras, um reflexo da participação de Lisboa como convidada de honra na Feira Internacional do Livro de Buenos Aires em 2024. Também estão em destaque traduções para italiano, francês, árabe, inglês, grego e sérvio.

As obras selecionadas abrangem géneros como ficção, poesia, literatura juvenil, ensaio e dramaturgia. No ano do bicentenário de Camilo Castelo Branco, destacam-se novas traduções de clássicos como Amor de Perdição, Coração, Cabeça e Estômago e uma seleção de contos, destinados a países como Alemanha, Canadá, Colômbia e Itália.

Também estão previstas publicações de Fernando Pessoa, incluindo Fausto. Tragédia objetiva e O sábio árabe, traduzidas em países como Azerbaijão, França, Grécia e Países Baixos. Obras de Raúl Brandão, como Os Pobres, Húmus e Os Pescadores, terão edições em Colômbia, Eslováquia e França.

A lista de autores apoiados é extensa e inclui nomes como Gonçalo M. Tavares, Afonso Cruz, Lídia Jorge, Dulce Maria Cardoso, Teolinda Gersão, José Luís Peixoto, Paulina Chiziane, José Eduardo Agualusa, António Lobo Antunes, José Saramago, Mia Couto, Valter Hugo Mãe, Pepetela e Eça de Queirós, entre muitos outros.

A análise e seleção das propostas ficaram a cargo de uma Comissão Técnica composta por representantes da Associação Portuguesa de Escritores, Associação Internacional de Lusitanistas, Camões, I.P. e DGLAB. A avaliação teve como critérios a qualidade, relevância cultural e diversidade literária.

Este reforço do programa LATE confirma a aposta na difusão da literatura lusófona no mundo, ampliando o número de leitores e promovendo o diálogo cultural entre diferentes geografias.