Os candidatos à Presidência da República de 2026 estão a reforçar o diálogo com as comunidades portuguesas no estrangeiro, realizando visitas a França, Bélgica, Luxemburgo, Suíça e Reino Unido, num esforço de aproximação aos eleitores emigrantes e de reconhecimento do papel da diáspora na afirmação internacional de Portugal.

 

As deslocações têm incluído reuniões com associações, encontros comunitários e apresentações públicas de propostas dirigidas especificamente às comunidades portuguesas. Entre os temas mais recorrentes destacam-se o voto dos emigrantes, a valorização da língua portuguesa e o reconhecimento do contributo social e económico das comunidades espalhadas pelo mundo.

No plano eleitoral, Luís Marques Mendes tem defendido a introdução do voto eletrónico e a realização de “presidências abertas” junto das comunidades portuguesas, criticando os partidos que, segundo o candidato, têm “travado os avanços necessários” para uma participação mais inclusiva. Outros candidatos sublinham a necessidade de acabar com a perceção de “portugueses de segunda” e de simplificar os processos eleitorais, reforçando os mecanismos de apoio consular e institucional.

A promoção da língua portuguesa como fator de identidade surge também entre as prioridades, a par da criação de novos programas de apoio cultural e social. Alguns candidatos prometeram ainda viagens oficiais regulares aos países com maior concentração de emigrantes, para manter um diálogo direto e contínuo com a diáspora.

Em paralelo, a Comissão Nacional de Eleições (CNE) anunciou uma campanha de esclarecimento direcionada aos eleitores portugueses no exterior, com o objetivo de combater a abstenção, que nas presidenciais de 2021 ultrapassou os 98%. O plano prevê um investimento de cerca de 450 mil euros e uma ação informativa em consulados e plataformas digitais.

O voto dos emigrantes nas presidenciais continua a ser presencial, realizado em dois dias consecutivos, através das embaixadas e consulados portugueses, embora vários candidatos defendam o alargamento ao voto postal e digital nas próximas eleições.

As visitas e propostas reforçam a importância crescente das comunidades portuguesas na agenda política nacional, refletindo um consenso entre os candidatos sobre a necessidade de reaproximar o país da sua diáspora e valorizar os milhões de portugueses que vivem e trabalham fora de Portugal.