Aproximam-se várias comemorações de meio século. Se “10 anos é muito tempo”, como canta Paulo de Carvalho (intérprete de uma das senhas da Revolução, “E depois do Adeus”, vencedora do Festival de 1974), 50 anos são uma eternidade que, por vezes, nos provoca esquecimento.

Esquecimento de um dos momentos mais marcantes, que foi a integração de centenas de milhares de irmãos no nosso país, retornados de espaços além-mar.

Numa história ainda mal contada, ainda parcialmente contada, conseguimos dar espaço, acolher, receber quem voltou, em situação muitas vezes sem nada.

Essa contabilidade, esse deve e haver, está também ele por fazer, mas, no campo estritamente económico, parece ter sido supra positivo para todos nós.

É normalmente o que acontece quando há migrações fora de contextos de guerra e de conflitos.

Deixem-me sublinhar aqui dois pontos.

O primeiro é que estamos, já todos demos conta disso, a receber uma enorme vaga, novamente, de um número considerável de pessoas que procuram o nosso território. Esperemos que saibamos acolher e que daí resulte também um saldo positivo. Haverá que acautelar outras questões, se soubermos e formos a tempo.

E essa vaga muda, significativamente, o panorama nos territórios, nos municípios e nas freguesias.

1 milhão é um milhão. Dezenas ou centenas de pessoas, naquele território, que têm nome, profissões, filhos, que trabalham, que recorrem ao comércio local e que podem não saber a nossa língua, que convivem mas que estão desenraizados, levantam questões que esse longínquo milhão não nos coloca.

Sabemos o esforço que os municípios e algumas freguesias têm de fazer para acolher esses novos munícipes e fregueses? Creio que não, mas isso merece destaque.

Como também não sabemos, enquanto comunidade nacional, o reflexo em termos económicos, de desenvolvimento e de intervenção política que esses retornados, há 50 anos, tiveram novamente no território, nos municípios e nas freguesias.

Ora, aí está um bom desafio para projetarmos hoje exemplos do passado.

E é um desafio que a Diáspora Lusa, em conjunto com outras entidades, poderá vir a desenvolver.

Manuel Ferreira Ramos

 

 

Poder Local por Manuel Ferreira Ramos