Os números revelados pelo mais recente levantamento estatístico do Statistics Canada apontam para uma tendência decrescente nos nascimentos de mães portuguesas em território canadiano, sugerindo uma correlação direta com os ciclos de emigração portuguesa para o país da América do Norte.
Em 2020, o número de nascimentos registados de mães portuguesas situou-se em 435, representando uma diminuição significativa em relação à média anual da década anterior, que rondava os 620 nascimentos por ano. Esta queda é parte de um padrão mais amplo de declínio, refletindo os movimentos migratórios entre Portugal e o Canadá ao longo das últimas décadas.
Analisando os dados desde o início do século XXI, observa-se que os valores mais elevados foram alcançados nos primeiros anos da década, com um pico de 1.410 bebés nascidos em 2000 e 2001. No entanto, desde então, tem havido uma trajetória decadente, especialmente acentuada na segunda década do século, onde nove dos dez anos registaram crescimentos anuais negativos.
Essa tendência, de acordo com especialistas como Pires et al. (2020) e Vidigal (2018), reflete o declínio geral na emigração portuguesa para o Canadá, que tem sido insuficiente para compensar os movimentos de retorno e a mortalidade. A análise dos dados também revela um desfasamento entre a chegada ao país e a constituição de família, indicando que o número de nascimentos está mais relacionado com a história migratória do que com fatores específicos do destino.
Internacionalmente, os nascimentos de mães portuguesas no Canadá representam uma parcela diminuta do total de nascimentos em Portugal, equivalendo a apenas 0.5% do número total de nascimentos no país em 2020. Além disso, quando comparado com outros destinos populares da emigração portuguesa, como França, Espanha, Suíça e Alemanha, o Canadá apresenta um peso menor em termos de nascimentos de mães portuguesas.
Um aspeto notável é a predominância de mães de origem asiática entre os nascimentos de mães estrangeiras no Canadá ao longo das duas últimas décadas. Países como Índia, China e Filipinas representam uma proporção significativa desses nascimentos, evidenciando os fluxos migratórios predominantes na região.
Em suma, os dados recentes sobre os nascimentos de mães portuguesas no Canadá apontam para uma tendência decrescente, alinhada com o declínio geral na emigração portuguesa para o país norte-americano. Esse padrão demonstra a complexa interconexão entre emigração, natalidade e fatores migratórios globais. Atualmente, Portugal é o 32º país no mundo e o 7º europeu com cerca de 17.490 nascimentos, que representa 0,8% de nascimentos de mães estrangeiras.
