A Bélgica registou em 2024 o maior número de entradas de cidadãos portugueses desde que há dados disponíveis: 5471 novas chegadas num único ano, segundo o serviço estatístico belga Statbel e o Observatório da Emigração. Este total representa 2,8% de todos os estrangeiros registados no país e confirma a consolidação da Bélgica como um dos principais destinos da mobilidade portuguesa na Europa.

 

Os números agora divulgados mostram um crescimento contínuo. Em 2000 tinham entrado 1369 portugueses, mas, ao longo de pouco mais de duas décadas, o fluxo anual quase quadruplicou. Depois da quebra motivada pela pandemia em 2020, as entradas voltaram a aumentar de forma consistente a partir de 2021, culminando no novo máximo observado em 2024.

A tendência enquadra-se no padrão mais amplo da emigração portuguesa recente. Estima-se que cerca de 70 mil portugueses tenham emigrado em 2023 para destinos variados, com a Bélgica a ganhar peso ao lado dos Países Baixos, Suíça e Luxemburgo. De acordo com o Observatório da Emigração, as oportunidades de emprego em setores como saúde, logística, construção, serviços e trabalho qualificado têm reforçado a escolha deste destino.

O contexto laboral ajuda a explicar parte desta evolução. Testemunhos referem que vários emigrantes destacam horários mais previsíveis, maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal e condições salariais mais estáveis. Entre os casos reportados está o de um enfermeiro que se mudou para Bruxelas em 2021 à procura de melhores condições e mais tempo com a família, ilustrando a conjugação entre motivos económicos e de bem-estar.

Em termos estruturais, a população residente na Bélgica nascida em Portugal tem vindo a aumentar desde 2000. As taxas de atividade são superiores às de outros grupos de residentes nascidos no estrangeiro, sobretudo na faixa etária dos 25 aos 64 anos. Bruxelas, Antuérpia e Liège continuam a concentrar a maioria dos portugueses, acompanhando a distribuição laboral e urbana do país.

A leitura dos dados por parte do Observatório da Emigração aponta para a consolidação da Bélgica como destino não apenas de emigração temporária, mas também de estabelecimento duradouro, num quadro de forte mobilidade europeia. Os investigadores destacam igualmente que estes movimentos refletem as dificuldades estruturais de Portugal em reter trabalhadores qualificados, num contexto marcado por salários pouco competitivos e desafios acrescidos no acesso à habitação.