A Feira do 27 regressa nos dias 23 e 24 de agosto a Monção, no distrito de Viana do Castelo, com mostra de gado, mercado de produtos regionais e animação cultural, consolidando-se como um dos acontecimentos mais emblemáticos do verão no Vale do Mouro e verdadeiro ponto de encontro para centenas de emigrantes de férias em Portugal.
Mais do que um certame agrícola, a feira assume-se como um impulsionador económico e turístico para o concelho, dinamizando restaurantes, comércio e unidades de alojamento, ao mesmo tempo que preserva os laços de identidade e memória entre a população local e a diáspora.
O evento, de matriz rural e cultural, combina exposição pecuária com venda de produtos endógenos, proporcionando momentos de convívio e partilha. Mais do que uma simples feira, representa um ritual comunitário, vivido intensamente por quem ali habita e por quem regressa da emigração.
A ligação à comunidade emigrante é um dos aspetos mais marcantes da iniciativa. Muitos portugueses que residem no estrangeiro, sobretudo em França, Suíça ou Luxemburgo, aproveitam as férias de verão para participar no certame, revivendo tradições e fortalecendo memórias. A Feira do 27 é, por isso, considerada um palco onde se “semeiam recordações” e se “regam tempos passados”.
A atmosfera é animada durante todo o fim de semana com grupos de folclore, bombos e concertinas. No sábado à noite, antes da tradicional verbena, realiza-se um jantar-concerto de fado com o artista monçanense Jorge Nande, sob o mote “Aqui entre nós”.
Com raízes profundas na história local, a feira realizava-se mensalmente, sempre no dia 27, até meados da década de 1970. Após mais de quatro décadas de interrupção, foi recuperada em 2015 pela União de Freguesias de Ceivães e Badim, que desde então mantém viva esta tradição.
Atualmente, a Feira do 27 é promovida em parceria com criadores de gado, agricultores, pequenos comerciantes e associações culturais. A iniciativa é vista como um exemplo de resiliência patrimonial e dinamismo económico da região.
Além da vertente agropecuária, o certame representa um importante motor social para Monção e localidades vizinhas, atraindo visitantes que reforçam o movimento na restauração, no comércio e na hotelaria. O encontro possui ainda grande potencial turístico, ao divulgar a gastronomia, o património e o artesanato, enquanto estreita a relação entre gerações.
O regresso dos emigrantes confere vitalidade especial ao evento. São eles que, lado a lado com os residentes, enchem os recintos, participam nas compras e levam consigo o orgulho de manter vivas as tradições do norte português.
A Feira do 27 de Monção confirma-se, assim, como muito mais do que um mercado: é um espaço de memória, identidade e partilha, onde tradição e modernidade caminham lado a lado.
Foto: CM de Monção
