Quase 4 em cada 10 portugueses utilizam ferramentas de Inteligência Artificial diariamente, segundo os dados oficiais mais recentes do Inquérito à Utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação nas Famílias, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) em 2025.
O Inquérito avalia a frequência, finalidades e perfil dos utilizadores de IA entre residentes de 16 a 74 anos, permitindo compreender como estas tecnologias se tornaram parte do quotidiano digital do país.
A presença da IA no dia a dia é marcada sobretudo pelo uso pessoal, onde a maioria recorre a aplicações inteligentes para comunicação, pesquisa, organização de tarefas, apoio no estudo, edição de conteúdos ou automatização de rotinas. A tendência confirma a integração natural de plataformas de IA em atividades comuns, desde a consulta de informação até ao apoio em trabalho académico e profissional.
O maior índice de utilização encontra-se entre os 16 e os 24 anos, onde 76,5% dos jovens recorrem diariamente à IA. Entre estudantes, o número sobe ainda mais, atingindo 81,5%, revelando o peso destas ferramentas no ensino, na produção de trabalhos, na aprendizagem assistida e na pesquisa de fontes.
A transformação digital reflete-se também nas competências digitais, que se encontram ao nível básico ou superior em 59,2% da população portuguesa. Lisboa lidera com 69,1%, seguida da Península de Setúbal com 68,9%, enquanto a Madeira apresenta a taxa mais baixa, com 48,6%. Estes números acompanham o reforço da infraestrutura tecnológica nacional, onde 90,9% dos lares portugueses possuem acesso à Internet, sendo a ligação fixa a predominante, presente em 85% dos domicílios.
Além da utilização de IA, o estudo mostra que os portugueses mantêm hábitos consolidados de interação digital. 93,5% enviam mensagens instantâneas, 87,9% trocam emails, 85,6% fazem videochamadas, 85% pesquisam sobre produtos e serviços, 80,5% consomem notícias online e 78,8% participam em redes sociais. Estas práticas reforçam o ambiente digital como base da comunicação, do consumo de informação e da participação social.
Em paralelo, quase 40% dos residentes recorreram ao Cartão de Cidadão ou à Chave Móvel Digital como forma de autenticação online durante o último ano, um crescimento de 8,5 pontos percentuais face a 2023. Portugal apresenta igualmente índices elevados de relacionamento digital com entidades públicas, surgindo acima da média da União Europeia.
Apesar da evolução, o INE sublinha desafios relevantes. O ritmo de adoção de IA no tecido empresarial português permanece inferior ao desejável, exigindo maior investimento público e privado na digitalização, formação contínua, inovação e integração de sistemas inteligentes. Relatórios científicos também chamam a atenção para o impacto da IA no mercado de trabalho, na literacia mediática e na necessidade de acompanhamento e qualificação permanente.
Os dados nacionais confirmam uma mudança estrutural nos hábitos digitais, colocando a Inteligência Artificial como ferramenta regular para grande parte da população e evidenciando a transição do país para um padrão mais tecnológico, conectado e dependente de competências digitais sólidas.
