O investimento dos Estados Unidos em empresas portuguesas atingiu, em 2025, o valor mais elevado da última década. Segundo dados reunidos pelo ECO, pelo Banco de Portugal e pela plataforma internacional Pitchbook, os fundos norte-americanos já injetaram cerca de 508 milhões de dólares (aproximadamente 437,8 milhões de euros) em capital de risco em Portugal só até agosto deste ano.
Esse montante representa cerca de 80% dos 647 milhões de dólares (557,5 milhões de euros) captados por empresas portuguesas em 2025 através de rondas de financiamento, um sinal claro do interesse internacional, sobretudo americano, no potencial do ecossistema empresarial português.
Entre as empresas em destaque está a Tekever, tecnológica portuguesa especializada em sistemas de drones. A empresa liderou com uma captação de 500 milhões de dólares (431,1 milhões de euros) numa única ronda de investimento realizada em maio. Com isso, passou a integrar o grupo restrito de “unicórnios”, ou seja, empresas não cotadas com valorização de mercado superior a mil milhões de euros.
Com sede em Lisboa, a Tekever anunciou planos de expansão no Reino Unido, onde pretende investir 400 milhões de libras (cerca de 470 milhões de euros) e criar 1.000 empregos ao longo dos próximos cinco anos. A aposta britânica posiciona-se como ponte estratégica entre a inovação nacional e os mercados internacionais.
O Banco de Portugal confirma também o reforço mais amplo do investimento direto estrangeiro (IDE) dos EUA em Portugal. Só no primeiro trimestre de 2025, o IDE norte-americano atingiu cerca de 4 mil milhões de euros, equivalente a 5,7% do total do investimento direto estrangeiro em Portugal. Este valor representa um aumento de mais de 70% nos últimos seis anos.
A esmagadora maioria, 91% deste IDE, está alocada à aquisição de participações no capital de empresas portuguesas, com foco especial nos setores tecnológico e imobiliário.
Além da tecnologia, o mercado imobiliário português continua a atrair os investidores dos Estados Unidos. Só nos primeiros três meses do ano, foram aplicados 1,7 mil milhões de euros neste setor. Para otimizar os investimentos, são frequentemente utilizadas estruturas financeiras com base no Luxemburgo e nos Países Baixos, mantendo a ligação ao mercado português.
Apesar dos desafios globais, o ambiente de capital de risco em Portugal mostra-se resiliente. Especialistas preveem um crescimento superior a 10% no volume total investido em startups até ao final de 2025. Entre os principais motores deste avanço estão os fundos públicos e privados e os incentivos fiscais à inovação, como o SIFIDE (Sistema de Incentivos Fiscais em Investigação e Desenvolvimento Empresarial).
Esse impulso externo, sobretudo americano, tem ajudado a posicionar Portugal como um destino estratégico para inovação e tecnologia a nível Europeu.
