O monte submarino “Gloria”, localizado no Atlântico Norte, passou a integrar oficialmente, em 2024, as bases de dados internacionais de relevo submarino, após um processo de nomeação iniciado por investigadores portugueses em 2023. A designação foi aprovada pelo Subcomité de Nomes do Relevo Submarino da GEBCO, entidade responsável pela toponímia do fundo marinho.

 

O monte situa-se no extremo norte da Elevação Açores-Biscaia, uma cordilheira submarina associada a estruturas geológicas profundas ligadas a Portugal. O relevo estende-se entre cerca de 2000 metros de profundidade no topo e 3100 metros na base, numa área de mar profundo ainda pouco conhecida e de difícil acesso.

A estrutura foi documentada pela primeira vez durante uma campanha oceanográfica da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), em julho de 2021. Nessa missão, os cientistas utilizaram um ROV para explorar o flanco sul do monte entre 2450 e 2700 metros de profundidade. Foram recolhidas imagens em alta definição, dados físicos da coluna de água e amostras geológicas e biológicas, permitindo caracterizar o monte e integrar a informação no esforço de mapeamento do fundo marinho português.

Em 2023, os investigadores avançaram com a proposta de batismo, fundamentada num artigo científico publicado em setembro desse ano. O nome “Gloria” evoca um antigo equipamento de mapeamento geológico submarino, historicamente associado à investigação oceanográfica portuguesa, e que permitiu avanços importantes na análise da topografia submarina e dos processos tectónicos.

A EMEPC desempenha um papel central neste trabalho de identificação e caracterização do relevo profundo, no âmbito do projeto português de Extensão da Plataforma Continental, que pretende ver reconhecido pelas Nações Unidas o alargamento da área marítima sob jurisdição de Portugal. As campanhas científicas conduzidas pela estrutura contribuem para o conhecimento da geologia e da biodiversidade do mar profundo, incluindo montes submarinos como o Gloria ou o Gorringe.

Com a oficialização do nome, o monte Gloria passa a integrar o conjunto de formações submarinas portuguesas reconhecidas internacionalmente, reforçando a visibilidade científica do país e consolidando o contributo nacional para o estudo e mapeamento do Atlântico profundo.