Foto:  João Marques Valentim

 

O fenómeno migratório marca a história contemporânea de Portugal, moldando gerações, identidades e afetos. A prova material dessa epopeia está espalhada de norte a sul do país e nas regiões autónomas, em forma de bustos, estátuas e memoriais erguidos em homenagem ao emigrante português. É precisamente este património que o novo livro “Monumentos ao Emigrante – Uma Homenagem à História da Emigração Portuguesa” pretende valorizar e dar a conhecer.

A obra, da autoria do historiador Daniel Bastos, em parceria com o fotógrafo Luís Carvalhido, foi apresentada na Sociedade de Geografia de Lisboa perante uma plateia composta por dirigentes associativos, académicos, representantes do poder local e central, bem como membros das comunidades emigrantes e lusodescendentes. O livro, de edição bilingue (português e inglês), surge com prefácio do escritor e filósofo Onésimo Teotónio Almeida e posfácio de Maria Beatriz Rocha-Trindade, presidente da Comissão de Migrações daquela sociedade.

Este projeto pioneiro resulta de um levantamento exaustivo dos monumentos de homenagem ao emigrante existentes em todos os distritos de Portugal continental, na Madeira e nos Açores.

O leitor é convidado a embarcar numa viagem ilustrada pela objetiva de Luís Carvalhido, que percorre os monumentos mais singelos das aldeias do interior até às grandes cidades. Cada peça conta uma história de partida, saudade, sacrifício e, sobretudo, de orgulho: o orgulho de um povo que não esquece as suas raízes nem o contributo dos seus filhos espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Os monumentos apresentados refletem a multiplicidade de destinos da diáspora lusa, França, Brasil, Estados Unidos, Canadá, Venezuela, África do Sul, Alemanha, Suíça, Bélgica, Luxemburgo, entre outros, e evocam as diferentes motivações, sonhos e desafios de quem partiu. São também um espelho da própria evolução social do país, com grande parte destas obras a terem sido erguidas ao longo do último meio século, num esforço coletivo de preservar a memória de milhões de portugueses emigrados.

Mais do que um inventário de património, “Monumentos ao Emigrante” é um convite à reflexão sobre o papel central da emigração na construção da identidade portuguesa. É também uma homenagem a todos os que, longe da terra natal, nunca deixaram de alimentar o elo com Portugal, contribuindo de forma decisiva para o desenvolvimento das comunidades de origem e de acolhimento.

A obra, apoiada institucionalmente pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e pela Sociedade de Geografia de Lisboa, reforça a missão da Diáspora Lusa de dar visibilidade ao papel histórico, económico e cultural dos emigrantes portugueses. Daniel Bastos, cronista regular da Diáspora Lusa, volta assim a afirmar-se como uma das principais vozes no estudo e divulgação da história das comunidades portuguesas pelo mundo.

Para todos os que partilham o orgulho de ser português e reconhecem o valor da memória coletiva, “Monumentos ao Emigrante” é uma referência obrigatória. Convidamos os nossos leitores a partilhar as suas histórias e memórias de emigração nos comentários, pois a história da diáspora portuguesa é feita de muitos rostos, destinos e sonhos.