O futebol já nos habituou a histórias de prodígios, mas poucos conseguem transformar promessas em feitos concretos com a velocidade vertiginosa de Nuno Mendes.
Aos 23 anos, o defesa-esquerdo atingiu um marco que o coloca no Olimpo dos vencedores: 14 troféus coletivos. Um número que o consagra como o jogador mais titulado de sempre antes de soprar as 24 velas.
A façanha consumou-se a 13 de agosto de 2025, em Udine, na Supertaça Europeia. PSG e Tottenham fecharam o tempo regulamentar empatados (2-2) e o desfecho chegou nas grandes penalidades.
Foi aí que o português assumiu o último penálti. Bola no canto, guarda-redes para o lado contrário, taça para Paris. O 14.º troféu nasceu no silêncio pesado que antecede o grito de vitória.
Para porceber a dimensão do feito, basta olhar para os outros prodígios: Kingsley Coman tinha 13 títulos aos 23 anos; Mbappé somava 12; Pelé e Messi, 11; Cristiano Ronaldo e João Neves, 10. Mendes passou-lhes à frente com a tranquilidade de quem encara finais como jogos de bairro.
O seu percurso é um manual acelerado de glória. Primeiro troféu? Taça da Liga pelo Sporting, em janeiro de 2021. No mesmo ano, conquistou o campeonato nacional e a Supertaça Cândido de Oliveira com os leões.
Depois, veio uma sequência imparável no PSG: quatro campeonatos franceses, duas Taças da França, duas Supertaças nacionais, uma Liga dos Campeões e, agora, a Supertaça Europeia. Pelo meio, ainda levantou uma Nations League com Portugal.
Mas não é apenas pelo currículo que se impõe. É pela forma como joga: potência física, leitura tática, drible curto, cruzamentos milimétricos e uma confiança serena que distingue os especiais.
Em 2024/25, esteve na shortlist da Bola de Ouro, o restrito grupo dos 30 nomeados pela France Football ao prémio de melhor jogador do mundo, onde terminou na 11.ª posição. Foi peça central na temporada em que o PSG venceu tudo, menos o Mundial de Clubes.
O reconhecimento é unânime. O selecionador Roberto Martínez não hesita: “Para mim, Nuno Mendes é o melhor defesa-esquerdo que já vi. É rápido, versátil, tem grande capacidade de passe e defende como poucos.”
A imprensa internacional também o coloca no pódio dos melhores, ao lado de Gvardiol, Davies e Theo Hernandez. Mendes já travou craques como Salah, Saka e Lamine Yamal nas noites grandes, deixando-os muitas vezes a falar sozinhos.
Hoje, é o defesa-esquerdo português mais titulado da história, superando Raphael Guerreiro, que soma 12 troféus conquistados entre Borussia Dortmund, Bayern de Munique e Seleção Nacional.
Se mantiver este compasso, Mendes poderá não só distanciar-se no topo entre os defesas, como também ambicionar aproximar-se de Cristiano Ronaldo, o português com mais títulos de sempre, 35 ao longo da carreira.
Por agora, segura firme a sua 14.ª taça, com a mesma naturalidade com que sobe e desce a linha esquerda do campo. Como se tivesse nascido para isto.
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