A larga maioria dos portugueses considera que, perante um conflito entre crescimento económico e proteção ambiental, deve prevalecer o ambiente, mesmo que isso implique custos económicos no curto prazo. As conclusões integram Eurobarómetros recentes divulgados pela Representação da Comissão Europeia em Portugal e pela Agência para o Desenvolvimento e Coesão.

 

Os dados mostram que cerca de 80% dos inquiridos defendem que a ação climática deve ser prioritária face à economia, acompanhando uma tendência europeia de forte apoio à transição verde. A opinião é reforçada por indicadores igualmente elevados: 91% acreditam que combater as alterações climáticas é essencial para melhorar a saúde pública e a qualidade de vida, e 89% apoiam o objetivo europeu de alcançar a neutralidade carbónica até 2050.

Outra dimensão destacada pelo inquérito é a perceção dos custos. A maioria dos portugueses considera que os danos económicos futuros associados às alterações climáticas serão superiores ao investimento necessário para reduzir emissões e adaptar a economia, uma avaliação acima da média registada na União Europeia. Entre as áreas em que os cidadãos esperam maior investimento europeu, a proteção do ambiente, a gestão da água e as políticas climáticas surgem logo a seguir à saúde, educação e habitação/eficiência energética.

Os resultados surgem no quadro das políticas europeias para o clima e integram também um Eurobarómetro dedicado à política regional. Nele, os portugueses destacam-se entre os que mais valorizam energias renováveis, eficiência energética e redução da dependência de combustíveis fósseis, revelando elevada consciência dos riscos climáticos.

Apesar deste apoio robusto à ação climática, o inquérito mostra que persistem preocupações económicas e sociais, como inflação, emprego e pobreza, que os cidadãos identificam como áreas que devem ser articuladas com as políticas verdes. Esta leitura está alinhada com posições assumidas pelo Governo português em cimeiras internacionais, onde Portugal tem defendido que a transição climática deve avançar em conjunto com medidas de justiça social.

As conclusões reforçam, assim, a imagem de uma sociedade portuguesa amplamente favorável à ação climática, consciente dos seus custos, mas também dos seus benefícios para a saúde, qualidade de vida e futuro económico.