A língua portuguesa, introduzida pelos portugueses em Angola no século XV, tornou-se, após a independência em 1975, a única língua oficial do país, sendo hoje usada pela maioria da população, sobretudo porque as políticas coloniais e o projeto de “lusitanização” a transformaram no principal meio de ensino, administração e comunicação nacional.
O último censo disponível, de 2014, mostra que 71,1% dos angolanos afirmam falar português em casa, número que chega a 85% nas cidades e fica nos 49% nas zonas rurais. Estes dados confirmam o peso central do português na vida pública angolana. O uso da língua começou por ser impulsionado pela administração colonial e por políticas de “lusitanização” promovidas pelo Estado português, sobretudo a partir do século XIX e durante o Estado Novo. Investigadores da Universidade de Mainz recordam que o ensino do português foi essencial para consolidar o domínio político e cultural, especialmente entre as elites urbanas.
Após a independência, em 1975, o Estado angolano manteve o português como língua oficial, decisão que mais tarde foi reforçada na Constituição de 2010 (“A língua oficial da República de Angola é o português”). Apesar de existirem muitas línguas nacionais como kimbundu, umbundu, kikongo, chokwe ou kwanyama, o português tornou-se dominante em documentos oficiais, escolas, meios de comunicação e serviços públicos. A urbanização acelerada desde os anos 1990 também contribuiu para esta expansão.
Estudos recentes, como os da Cambridge Language Collective, indicam que o português falado em Angola incorpora cada vez mais palavras das línguas locais, mostrando que a língua não é apenas um legado colonial, mas algo que os angolanos adaptaram e reinventaram ao longo do tempo.
Para a diáspora luso-angolana e para portugueses espalhados pelo mundo, este cenário reforça o papel do português como elemento de ligação entre gerações e países. O crescimento contínuo da língua em Angola é igualmente um reflexo da sua presença no mundo lusófono e da forma como a história colonial marcou, de forma duradoura, diferentes sociedades.
