A compra de casas por portugueses em Espanha atingiu um novo recorde no primeiro semestre de 2025, reforçando uma tendência que se tem intensificado ao longo da última década. Segundo dados divulgados pelo idealista e confirmados por várias fontes do sector imobiliário espanhol, Portugal é uma das sete nacionalidades que alcançaram valores históricos de transações residenciais em território espanhol.
No total, cidadãos destas sete nacionalidades, entre elas Portugal, Itália, Marrocos, Países Baixos, Ucrânia, Colômbia e Estados Unidos, adquiriram 20.364 imóveis, representando 28,6% de todas as compras realizadas por estrangeiros no país. Este volume é quase quatro vezes superior ao registado no primeiro semestre de 2007, ano que anteriormente detinha máximos relevantes neste segmento.
Portugal surge na sétima posição, com 1.141 casas compradas entre janeiro e junho de 2025, mas destaca-se por apresentar o maior crescimento anual entre todas as nacionalidades, com uma subida de 22,8% face ao período homólogo. Este é o aumento mais expressivo desde 2016 e supera largamente a média geral dos estrangeiros, que se situou em cerca de 2%.
Os dados revelam também que a grande maioria dos compradores estrangeiros já reside em Espanha, cerca de 60,9%, uma tendência que se verifica igualmente entre os compradores portugueses. Fatores como proximidade geográfica, mobilidade profissional, diferenças de preços e qualidade de vida têm contribuído para que cada vez mais cidadãos nacionais optem pelo mercado residencial espanhol.
O valor médio pago pelos portugueses fixou-se em 2.195 euros por metro quadrado, abaixo da média geral dos estrangeiros, que atingiu 2.417 euros/m². Já os compradores oriundos dos Estados Unidos lideram a lista dos que mais pagam por metro quadrado, com 3.465 euros/m², seguindo-se suíços, suecos, noruegueses e alemães.
Paralelamente, o mercado imobiliário espanhol continua a registar uma subida consistente de preços, tanto para compra como para arrendamento, sobretudo nas zonas costeiras e no sul do país. A oferta limitada e a crescente procura internacional têm pressionado os valores, deixando segmentos como o mercado de luxo praticamente inacessíveis para a maioria dos compradores em regiões como Baleares, Málaga, Lisboa e Madrid.
A imprensa espanhola e portuguesa aponta igualmente que as dificuldades no acesso à habitação em Portugal levam muitos cidadãos a procurar alternativas em Espanha, onde continuam a existir oportunidades de aquisição a preços relativamente mais competitivos, dependendo da região.
