Legenda: Nuno Marques (esq.), Carla Barreto (ao centro) e Paulo Marques (dir.)
A presença portuguesa no poder local europeu ganha cada vez mais visibilidade com os percursos de Carla Barreto, Mayor de Thetford (Reino Unido), Nuno Marques, vice-presidente da Câmara de Notodden (Noruega), e Paulo Marques, vice-presidente da Câmara de Aulnay-sous-Bois (França). Representantes de diferentes gerações e contextos, estes autarcas refletem o envolvimento crescente da diáspora portuguesa na vida política dos países de acolhimento.
De Viana do Castelo à liderança em Thetford
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Natural de Viana do Castelo, Carla Barreto vive no Reino Unido desde 2006 e tornou-se, em 2025, a primeira imigrante a liderar a câmara municipal de Thetford. “Honrada e ansiosa pelo grande ano que tenho pela frente”, escreveu nas redes sociais após a posse. “Thetford é uma cidade cheia de história, diversidade e potencial, e comprometo-me a trabalhar para apoiar os nossos residentes”, declarou no seu discurso.
O seu mandato tem-se distinguido pela promoção da coesão social, pelo apoio ao comércio local e pela valorização da diversidade cultural, sendo reconhecida pelo envolvimento em projetos comunitários e pelo incentivo ao diálogo intercultural. A nota oficial do município de Thetford sublinha que Barreto “oferece uma perspetiva única que mistura a herança portuguesa com o forte compromisso com o crescimento e a prosperidade da cidade”.
Do futebol à vice-presidência em Notodden
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Nascido em Tomar, Nuno Marques fixou-se na Noruega em 2004, após uma carreira como guarda-redes, incluindo passagem pelo Benfica. Depois de pendurar as luvas, investiu na formação académica: é licenciado em Inovação e Empreendedorismo, mestre em Relações Internacionais e doutorando em Direito Internacional.
Hoje, além de vice-presidente do município de Notodden, é também docente universitário. Destaca a proximidade com a população como fator determinante na sua continuidade em funções: “Estou numa localidade de 14 mil pessoas, onde a transparência política, a proximidade entre os eleitores e os governantes é muito mais próxima”, afirmou em entrevista à RTP.
Liderança associativa e política em França
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Filho de emigrantes portugueses, Paulo Marques nasceu em Champigny-sur-Marne, em 1970. Diplomado em Contabilidade e Ciências Económicas, esteve desde cedo ligado ao associativismo, nomeadamente à Associação Cultura Portuguesa de Aulnay-sous-Bois. Eleito autarca em 1995, exerce funções de vice-presidente da câmara desde 2014.
Defensor da participação cívica e da promoção da língua e cultura portuguesas, tem desempenhado cargos em diversas estruturas portuguesas e francesas, incluindo o Conselho das Comunidades Portuguesas e a associação CIVICA. Paulo Marques destaca o papel da diáspora no atual contexto europeu: “Nós hoje, comunidades fora de Portugal, somos parte das soluções e já não somos parte das problemáticas”, afirmou, também à RTP.
Integração, confiança e proximidade democrática
A representatividade portuguesa nas autarquias europeias é cada vez mais expressiva, sobretudo em países como França, Reino Unido, Luxemburgo e Suíça. Só em França, estima-se que existam mais de 500 autarcas de origem portuguesa. A eleição de representantes luso-descendentes em cidades como Thetford, Notodden ou Aulnay-sous-Bois é vista como sinal de reconhecimento do papel das comunidades portuguesas e da confiança depositada pelos eleitores.
A nível europeu, as autarquias continuam a ser apontadas como o nível de governo mais próximo dos cidadãos. De acordo com o relatório “Descentralização, desconcentração e regionalização,” do IPPS-Iscte, 60% dos inquiridos consideram que as câmaras municipais se preocupam com os cidadãos e defendem mais competências descentralizadas. Em declaração recente, o presidente da câmara de Lisboa, Carlos Moedas, diz que os autarcas são “os protetores da democracia”.
Num contexto marcado pela distância do país natal, os autarcas portugueses no estrangeiro afirmam-se como exemplos de integração bem-sucedida, participação cívica ativa e reforço dos laços entre Portugal e as comunidades lusófonas espalhadas pelo mundo.
Por Rodrigo Matsuda
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