O Festival Internacional de Cinema de Atenas, que decorre até 12 de outubro, está a reunir a atenção da crítica e do público cinéfilo em mais uma edição marcada pela diversidade cultural e pela exibição de obras desafiantes.

 

Criado em 1995, o festival celebra este ano a sua 31.ª edição, sendo hoje reconhecido como um dos mais relevantes encontros cinematográficos do sudeste europeu. Funciona como plataforma de intercâmbio entre cineastas, críticos e produtores e como espaço de visibilidade para o cinema europeu independente.

Portugal assegura presença com duas coproduções: “O Riso e a Faca”, de Pedro Pinho, e “Magalhães / Magellan”, do realizador filipino Lav Diaz, ambos com forte ligação à produção nacional.

A primeira obra a ser exibida foi “O Riso e a Faca”, uma coprodução entre Portugal, Brasil, França e Roménia, que integra a Secção Competição Internacional. O filme já foi apresentado em duas sessões no Cinema ASTOR, nos dias 2 e 6 de outubro, e voltou a despertar debate, depois da sua estreia em Cannes, pela abordagem frontal a questões ligadas à identidade, desigualdade e herança colonial.

A narrativa acompanha um engenheiro ambiental português que viaja até à Guiné-Bissau para elaborar um relatório de impacto ambiental numa estrada em construção. O que parecia uma missão técnica rapidamente se transforma num confronto de tensões culturais, com personagens locais e estrangeiros a revelar fragilidades e contradições sociais.

A crítica internacional tem recebido a obra de Pedro Pinho como um exercício ousado, tanto pela linguagem cinematográfica como pela escolha de atores amadores em papéis centrais, criando uma atmosfera de realismo naturalista. O portal oficial do festival destaca o caráter audacioso da produção, descrevendo-a como “um projeto visualmente impactante que questiona desigualdades pós-coloniais através de um olhar desconcertante e provocador”.

“Magalhães / Magellan”, coprodução luso-filipina dirigida por Lav Diaz, integra a Secção Estreias e será exibida a 10 de outubro, no Cinema DANAOS, e a 11 de outubro, no Cinema ASTOR. O filme evoca a figura histórica de Fernão de Magalhães, explorando os cruzamentos entre passado e presente numa perspetiva que mistura épico e experimentalismo autoral.

A participação nacional conta com o apoio do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua e da Embaixada de Portugal em Atenas, reforçando a estratégia de promoção da cultura portuguesa além-fronteiras.

 

A presença portuguesa em Atenas reforça a crescente visibilidade do cinema nacional no circuito europeu e internacional, confirmando a sua pertinência junto de um público atento ao cinema de autor, que continua a encontrar em produções portuguesas uma voz singular.