A revista Diáspora Lusa conversou com Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro, sobre a relação do município com a diáspora.
Os temas abordados incluíram os destinos da emigração de Aveiro, o papel das comunidades na economia local, iniciativas culturais locais e oportunidades de investimento em Aveiro para
os portugueses da diáspora.
Quais são historicamente os principais destinos da emigração da Região de AVEIRO?
Aveiro, tal como os portugueses são cidadãos do mundo, é por isso muito fácil encontrarmos um português, que seja Aveirense, em qualquer dos quatro cantos do planeta (risos). Mas diria que os principais destinos foram e são os destinos da grande maioria dos emigrantes portugueses: mais a ocidente os Estados Unidos da América e na Europa, a França, a Suiça e o Luxemburgo. Os países Africanos onde se fala português e o Brasil, também estão na rota dos Aveirenses.
Em que épocas se registaram os principais fluxos migratórios e em que atividades profissionais se fixaram?
As décadas de 1950 e 1960 foram as mais relevantes no que respeita à emigração com uma enorme diversidade de profissões. Nos tempos mais recentes temos vindo a assistir a uma mudança de paradigma na emigração. Portugal tem vindo a assistir à saída de jovens recém-formados para posições qualificadas um pouco por todo o Mundo. Mas isso também significa por um lado a capacidade do nosso País em formar bem os nossos jovens e por outro a capacidade dos Portugueses e dos Aveirenses, de trabalharem por todo o Mundo e em funções de elevada responsabilidade. Relativamente aos fluxos migratórios, vivemos nos últimos quatro anos, um relevante caudal de imigração proveniente de todo o Mundo, com destaque para os Países onde se fala português.
O relacionamento com as pessoas naturais da região a residir no estrangeiro é um objetivo da Autarquia que dirige? De que forma se fomenta esse relacionamento?
![]()
Sem dúvida. Nós temos em curso um trabalho aprofundado de relacionamento com as nossas comunidades, cuidando também do trabalho com as Cidades amigas e geminadas com Aveiro. Em breve estarei em Arcachon (França), onde por via da semelhança dos territórios temos estado a trabalhar no desenvolvimento de projetos conjuntos que possam responder aos desafios das alterações climáticas. Em maio estaremos no Japão, na Expo Osaka 2025 para apresentar o livro da visita do Navio-Escola Sagres a Aveiro. O Sagres que é a mais fantástica embaixada portuguesa de todo o Mundo e que tem um significado de grande relevância para todas as comunidades.
Como disse é um trabalho que temos vindo a desenvolver regularmente, procurando também dar resposta a todas as solicitações que nos chegam.
O Verão e o Natal, enquanto estações do ano preferencial para o regresso para férias por parte dos Portugueses na Diáspora, são encarados como uma oportunidade para aumentar a proximidade com estas comunidades? Que iniciativas dirigidas a este público-alvo são desenvolvidas durante estes períodos?
De facto nós apostamos muito na atratividade do Município para todos os que nos visitam nesses dois períodos do ano e de forma especial para as nossas Comunidades de emigrantes espalhadas pelo Mundo. Os programas que preparamos têm sempre o cuidado de divulgar e partilhar a Cultura Portuguesa, como marca de identidade, mas também desse sentimento tão único e tão português que é a saudade, procurando por esta via cuidar da memória e da alma de quem, mesmo longe, regressa a casa para levar mais um pouco do seu País e da sua bandeira além-fronteiras.
Desta forma, devo destacar o Festival dos Canais (julho) e o Festival Dunas de São Jacinto (agosto), como os dois principais eventos do Verão dedicados aos nossos residentes, visitantes e emigrantes. No período de Natal temos o Boas Festas em Aveiro, que acontece entre dezembro e janeiro e que procura, uma vez mais entre as tradições de Natal, os sabores da nossa gastronomia Aveirense e a magia do Natal, da Passagem de Ano e do São Gonçalinho, dar-nos novos e renovados motivos para convivermos em família e entre amigos.
O Concelho de Aveiro apresenta atualmente oportunidades de investimento para os empresários portugueses na diáspora? Em que setores de atividade?
![]()
Objetivamente, sim. O sector do Turismo é aquele onde as oportunidades acontecem de forma mais imediata. Mas apostamos muito no desenvolvimento económico do Município nas áreas da Inovação, Empreendedorismo e Exportação. Desde 2019, com a revisão do Plano Diretor Municipal que estamos a apostar na ampliação e qualificação das nossas Áreas de Acolhimento Empresarial, para dar mais e melhores condições às empresas instaladas e a todas aquelas que queiram escolher Aveiro como polo central da sua atividade profissional.
Na gestão das operações de conquista e acolhimento de investimento, assim como nos processos de licenciamento, a Câmara Municipal de Aveiro criou mecanismos de gestão diligente, rápida e de qualidade, que tem sido de capital importância para o crescimento da atividade económica no Município de Aveiro, em múltiplos setores de atividade, destacando-se a indústria, o comércio, o setor tecnológico, a habitação e o turismo.
Como avalia o cariz empresarial / exportador das empresas do concelho? As comunidades na diáspora contribuem para o sucesso internacional dessas empresas? De que forma?
Sem dúvida que sim. São muitos os exemplos de empresas Aveirenses exportadoras, de diversos setores de atividade, que sempre tiram proveito da presença da portugalidade nos mercados onde vendem. Um outro exemplo interessante que temos desse contributo e desse crescimento são os Ovos Moles de Aveiro, com a produção a dirigir-se para os mercados externos, especialmente para Espanha, França, Luxemburgo, Suíça, Holanda e Angola.
Por Ígor Lopes
Ler artigo completo aqui ou leia a revista completa ↓
