O Carnegie Hall, em Nova Iorque, acolheu no dia 11 de outubro o concerto “Se uma gaivota viesse trazer o céu de Nova Iorque…”, iniciativa que marcou as comemorações dos 40 anos da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD).

 

O evento reuniu os fadistas Cristina Branco, Raquel Tavares e Ricardo Ribeiro com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob direção do maestro Jan Wierzba, num programa dedicado à obra e legado de Amália Rodrigues.

Esta atuação assinalou a estreia da Orquestra Sinfónica Portuguesa nos Estados Unidos, com cerca de 100 músicos em palco, e foi organizada pela Égide – Associação Portuguesa das Artes, em parceria com a FLAD, o OPART/Teatro Nacional de São Carlos e a Fundação Amália Rodrigues.

O alinhamento combinou fado tradicional com composições internacionais que Amália gravou ao longo da sua carreira nos EUA, reinterpretadas através de arranjos orquestrais originais de Carlos Azevedo, Daniel Bernardes, Filipe Raposo, Pedro Duarte e Pedro Moreira.

Durante o espetáculo, foram projetados registos multimédia com a voz original de Amália Rodrigues, estabelecendo um diálogo entre gravações de arquivo e interpretações ao vivo. Os fadistas portugueses destacaram o caráter simbólico do concerto. “Acho que Amália se sentiria honrada com aquilo que estamos a fazer”, afirmou Cristina Branco. Raquel Tavares referiu “a responsabilidade e a emoção de cantar neste palco com tantos músicos portugueses”, e Ricardo Ribeiro descreveu a homenagem como “uma oportunidade singular de representar Portugal no Carnegie Hall”.

O evento recordou também a ligação histórica de Amália Rodrigues aos Estados Unidos, onde se apresentou pela primeira vez em 1952. A fadista atuou em espaços de referência como o La Vie en Rose, o Hollywood Bowl, o Lincoln Center e o próprio Carnegie Hall, além de participar em programas de televisão norte-americanos. Em 1966, foi solista em concertos com as orquestras filarmónicas de Nova Iorque e Los Angeles, consolidando a sua projeção internacional.

O concerto integrou-se na programação de aniversário da FLAD, instituição fundada em 1985 com o objetivo de reforçar as relações entre Portugal e os Estados Unidos nas áreas da cultura, ciência e educação. A celebração no Carnegie Hall foi acompanhada por iniciativas paralelas de promoção da cultura portuguesa junto das comunidades lusas nos EUA.

A homenagem a Amália Rodrigues teve ampla cobertura mediática, com destaque em órgãos de comunicação como RTP, Expresso, CNN Portugal, Diário de Notícias e Comunidade Cultura e Arte, além de meios internacionais ligados à música clássica e à diáspora portuguesa.

Com este concerto, a FLAD assinalou quatro décadas de atividade, reforçando o papel da cultura como eixo central da sua missão e reafirmando a presença portuguesa em palcos de referência mundial.

 

 

Foto: Rodolfo Contreras