O primeiro-ministro de Portugal, Luís Montenegro, destacou as comunidades portuguesas e os lusodescendentes espalhados por 178 países em todo o mundo como “ativos económicos” com potencial para “investir e desenvolver negócios” no território português.
Na sua intervenção institucional de abertura, no âmbito do primeiro Fórum “Portugal Nação Global”, que se realiza entre os dias 29 e 30 de abril no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Luís Montenegro salientou o papel que os cinco milhões de portugueses e lusodescendentes podem desempenhar no desenvolvimento económico de Portugal.
“Nós queremos que todos aqueles que vieram ao Fórum “Portugal Nação Global” e, através deles, aqueles que se encontram espalhados pelo mundo, que são portugueses, possam olhar para Portugal, possam investir em Portugal, possam ser agentes ativos de parcerias, de investimentos em Portugal ou investimentos portugueses espalhados pelo mundo”, frisou.
“Os portugueses espalhados pelo mundo são embaixadores não apenas da nossa cultura, das nossas tradições, mas embaixadores da nossa vontade empreendedora, da nossa capacidade de transformação, da nossa capacidade de estarmos na vanguarda dos projetos que alimentam o desenvolvimento humano e o desenvolvimento cultural”, acrescentou.
Luís Montenegro valorizou também os indicadores económicos recentes e as políticas que o seu governo tem implementado para ajudar o país a tornar-se mais “competitivo, moderno e capaz de concorrer com os mais dinâmicos do mundo”, destacando a consolidação da credibilidade financeira de Portugal bem como a sua estabilidade orçamental e o crescimento do rendimento das famílias, acima da média europeia.
“Se tudo correr dentro daquilo que está previsto, em 2026, e apesar de todas as incertezas, todas as adversidades, será mais um ano onde Portugal crescerá mais do que a média da União Europeia”, afirmou.
O chefe de governo português referiu ainda um conjunto de fatores que fazem de Portugal um país relevante para o investimento da diáspora portuguesa, como segurança, aposta nas energias verdes e no digital e custos de energia baixos, não obstante a instabilidade mundial nas cadeias de abastecimento devido à crise do setor energético proveniente do Médio Oriente.
“Neste momento, já somos, na Europa, um país que apresenta os custos de energia mais baixos. Devo destacar este ponto porque, há alguns anos, este era um fator em desfavor da nossa competitividade. Portugal é hoje altamente competitivo do ponto de vista energético”, disse.
Ainda assim, Montenegro deixou a promessa de que o seu governo vai continuar a trabalhar para reforçar ainda mais a competitividade e a atratividade do país, incluindo a simplificação administrativa e a desburocratização e uma política fiscal mais favorável para as empresas e trabalhadores.
Neste sentido, este responsável destacou o papel de instituições como a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e o Banco Português de Fomento como entidades centrais na captação de investimento, no financiamento das empresas e na internacionalização da economia portuguesa.
No fim da sua intervenção, Luís Montenegro apelou à dinamização de toda a diáspora presente no “Portugal Nação Global”, esperando que do evento possa resultar mais crescimento e desenvolvimento económico e maior capacidade de reforçar a presença internacional de Portugal,
“Desejo-vos que a tal lista de contactos que vão aqui trocar de projetos, de experiências, seja inspiradora e seja um bocadinho mais do que isso; que seja a semente para projetos que vão, depois, germinar em bons investimentos e em maior crescimento de Portugal e maior crescimento da nossa comunidade e da sua prosperidade espalhada por todo o mundo”, concluiu.
Primeiro dia marcado por “diplomacia económica, expansão global e papel da diáspora nos mercados internacionais”
Para além do primeiro-ministro português, a sessão de abertura do primeiro Fórum “Portugal Nação Global”, realizada dia 29, contou com a presença do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, do presidente da Associação Empresarial de Portugal (AEP), Luís Miguel Ribeiro, e do presidente executivo do Banco Português de Fomento, Gonçalo Regalado. As três intervenções centraram-se no papel estratégico da diáspora portuguesa na internacionalização da economia, na captação de investimento e no reforço da competitividade de Portugal à escala global.
Ao longo do dia, foram também realizadas sessões plenárias, temáticas e paralelas dedicadas ao investimento, internacionalização, inovação e valorização territorial.
Um dos momentos centrais foi a sessão “Casos de Sucesso da Diáspora”, com António Pargana, da Fundação António Pargana; Jorge Viegas, da Federação Internacional de Motociclismo; e Luísa Buinhas, da Vyoma GmbH. A sessão teve como objetivo “destacar percursos empresariais internacionais de referência e a capacidade da diáspora portuguesa para atrair investimento, escalar negócios e reforçar a reputação externa do país”.
Paralelamente, na sessão dedicada aos parques empresariais e ecossistemas de inovação, intervieram Anabela Raposo, da AICEP GLOBAL PARQUES; Eduardo Baptista Correia, da Taguspark; e João Almeida, da Rural Move, num debate centrado na atração de investimento, desenvolvimento de infraestruturas e fixação de talento nos territórios.
A diplomacia económica municipal esteve em destaque num outro painel, com intervenções de Carlos Zorrinho, da Câmara Municipal de Évora; Luís Pádua, da AICEP; e Paulo Simões, da Comunidade Intermunicipal do Oeste, que sublinharam o papel das autarquias na captação de investimento e na promoção internacional dos territórios.
Na sessão “Mapa de Oportunidades em Portugal e no Mundo”, estiveram presentes António Rios de Amorim (Corticeira Amorim), Madalena Oliveira e Silva (AICEP) e Pedro Pimpão, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, apresentando experiências e oportunidades concretas de investimento e internacionalização para Portugal.
Durante a tarde, a sessão dedicada à diáspora científica contou com intervenções de Catarina Liberato (University College London e Associação de Investigadores e Estudantes no Reino Unido), David Pereira de Castro (Associação dos Investigadores e Profissionais Graduados Portugueses nos países nórdicos), Paulo Gomes (CERN e Associação dos Graduados Portugueses na Suíça) e Silvia Curado (New York University, Sociedade Americana Pós-graduados Portugueses).
Os países da lusofonia também estiveram no centro do debate, com uma sessão dedicada à diáspora como acelerador da internacionalização, onde estiveram presentes Carlos Vinhas Pereira, da Rede de Câmaras de Comércio Portuguesas no Mundo; Jaime Quesado, economista e gestor, e Magda Magro, do Conselho da Diáspora Portuguesa.
Em paralelo, realizaram-se apresentações diretas de várias comunidades intermunicipais dirigidas a investidores e empresários da diáspora, com o objetivo de “dar visibilidade a oportunidades concretas de investimento disponíveis nas diferentes regiões de Portugal”.
No painel “Preparar a empresa para o investimento externo”, participaram Isabel Ucha (Euronext Lisboa), Ricardo Marvão (Beta-i) e Rui Corrêa Henriques (Banco Santander), abordando estratégias de financiamento e preparação das empresas para mercados internacionais.
Simultaneamente, decorreu a sessão “Estratégias de Expansão Global”, reunindo José Sacadura (Powerdot), Paulo Reis de Oliveira (AICEP), Pedro Sá (Grupo Polisport) e Susana Viseu (IAPMEI). Os oradores abordaram casos concretos de crescimento internacional, partilhando experiências e modelos de expansão em mercados externos.
O primeiro dia terminou com um jantar de gala, realizado na Estufa Fria, no Parque Eduardo VII, em Lisboa, promovendo o networking entre decisores políticos, empresários e representantes da diáspora num ambiente informal de consolidação de contactos e parcerias.
Diáspora portuguesa como “alavanca económica” do Fórum “Portugal Nação Global”
Segundo dados do Ministério dos Negócios Estrangeiros, o “Portugal Nação Global” reúne, entre os dias 29 e 30 de abril, 634 participantes provenientes de 43 países dos cinco continentes, com o objetivo de “reforçar a ligação entre Portugal, a sua diáspora e os mercados internacionais”, promovendo investimento, internacionalização e oportunidades económicas.
De igual modo, a participação distribui-se entre 266 representantes de instituições públicas e associativas, 254 empresas nacionais e 189 empresas da diáspora, refletindo uma composição equilibrada entre setores estratégicos e demonstrando o crescente peso económico dos mais de cinco milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados por 178 países em todo o mundo.
Além do mais, 98 empresas nacionais procuram investimento externo, enquanto 99 empresas da diáspora manifestam intenção de investir em Portugal, com valores maioritariamente situados entre 500 mil e 5 milhões de euros.
O caráter operacional do Fórum evidencia-se ainda na realização de 415 reuniões empresariais B2B confirmadas, além de apresentações institucionais e empresariais direcionadas, reforçando a vocação prática do encontro.
