Portugal registou uma ligeira diminuição de 1,9% na entrada de imigrantes de longo prazo em 2024, totalizando 138 mil novos residentes, de acordo com o mais recente relatório Perspetivas da Migração Internacional 2025 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Em contrapartida, a emigração de portugueses aumentou 4%, atingindo 61 mil pessoas.
Os dados, confirmados também pelo Observatório da Emigração e pela imprensa nacional, indicam que 44% dos novos migrantes em Portugal vieram trabalhar, uma subida de 9% face a 2023. Já os reagrupamentos familiares caíram 46%, refletindo um endurecimento das regras de entrada e permanência. No ensino superior, cerca de nove mil estudantes internacionais obtiveram autorização de residência no mesmo período.
As principais nacionalidades de imigrantes em Portugal continuam a ser Brasil, Angola e Cabo Verde, com os fluxos brasileiros a registarem o maior crescimento. No total, 28% dos recém-chegados beneficiaram de livre circulação, 44% vieram por motivos de trabalho e 14% por razões familiares.
Em sentido inverso, os portugueses continuam a emigrar em número crescente, sobretudo para Suíça (21%), Espanha (19%) e França (12%). O relatório sublinha que Portugal é simultaneamente um destino relevante para migrantes de outros países e uma das principais origens de emigração dentro do espaço da OCDE.
No panorama internacional, a migração laboral temporária atingiu recorde histórico, com 2,3 milhões de autorizações emitidas em 2024, um aumento de 26% face a 2019. Já a migração permanente desceu 4%, embora permaneça num patamar elevado, com 6,2 milhões de migrantes permanentes. A taxa de emprego entre migrantes atingiu um recorde de 71,8%, enquanto o desemprego neste grupo ronda os 10%.
Em Portugal, o relatório destaca ainda o impacto das mudanças no Plano de Ação para a Migração (2024), que revogou o mecanismo de manifestação de interesse e passou a limitar benefícios sociais, tornando mais restrita a regularização de migrantes irregulares e mais célere o processo de deportação.
Nos pedidos de asilo, o país registou 2.700 requerimentos em 2024, um aumento de 2,9% face ao ano anterior, com origem sobretudo no Senegal, Gâmbia e Colômbia. Apenas 1% resultou em decisão positiva.
A OCDE recomenda que Portugal continue a investir em políticas de integração, reconhecimento de qualificações e reforço do mercado de trabalho, dada a crescente procura por profissionais estrangeiros. As conclusões do relatório revelam uma inflexão nos fluxos migratórios portugueses, marcada por menos entradas no país e mais saídas para o estrangeiro, espelhando as novas dinâmicas económicas e sociais no espaço europeu.
