Durante o almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal, no passado dia 23 de julho, o Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, apresentou uma visão clara sobre a força e transversalidade do turismo na economia portuguesa, sublinhando que o setor é hoje uma alavanca estrutural de desenvolvimento nacional.

Pedro Machado começou por destacar que, só em 2024, Portugal já superou os níveis turísticos registados em 2019, o melhor ano antes da pandemia. O Governo estima, até ao final do ano, um crescimento de 3 a 4% no número de turistas e de 6% nas receitas, podendo atingir os 30 mil milhões de euros.

Num discurso fortemente ancorado em dados e estratégia, afirmou que o turismo português está a gerar, anualmente, o equivalente a um Plano de Recuperação e Resiliência e meio, recordando que o PRR representa um total de 22 mil milhões de euros para cinco anos.

Rejeitando críticas sobre uma alegada dependência do setor, Pedro Machado foi perentório: Não é verdade que Portugal esteja dependente de uma mono-indústria. O turismo é transversal a 49 atividades económicas, referindo impactos diretos e indiretos em áreas como a mobilidade, agricultura, cultura e indústria transformadora.

Abordou ainda a perceção de excesso de turistas, esclarecendo: Não temos turistas a mais. Temos é de distribuir melhor os fluxos, no tempo e no território, apontando a necessidade de políticas de dispersão geográfica e sazonal.

Outro ponto forte da intervenção foi a nova Estratégia Nacional para o Turismo 2030, que será apresentada em setembro e assentará num triângulo estratégico:
Crescimento sustentável;
Qualificação da experiência turística;
Satisfação do visitante.

No plano da mobilidade, realçou que 96% das entradas em Portugal se fazem por via aérea, o que reforça a urgência em resolver os constrangimentos nos aeroportos e expandir rotas internacionais. Destacou, nesse sentido, o papel da TAP, que está a abrir novas ligações com os Estados Unidos, México, Argentina, Austrália e Arábia Saudita.

Sobre os desafios laborais, alertou para a escassez de mão-de-obra no setor, defendendo a criação de uma “via verde” para trabalhadores imigrantes. “Hoje, 15% da população residente em Portugal é estrangeira, com um contributo fundamental para a nossa economia”, afirmou.

O governante mencionou também a importância dos projetos de requalificação urbana apoiados pelo Turismo de Portugal, nomeadamente a recuperação de mercados municipais e espaços de visitação, considerados instrumentos ativos de política pública no terreno.

 

O evento contou com muita afluência e com a presença do CEO da Diáspora Lusa, Raul Marques, reforçando o compromisso da plataforma como Media Partner dos encontros promovidos pelo ICPT, que continuam a fomentar o debate estratégico sobre o futuro de Portugal.