Logo no primeiro ano do seu pontificado o Papa Leão XIV visitou Angola de 18 a 21 do mês de abril num périplo que envolveu mais três países africanos, a Argélia, os Camarões e a Guiné Equatorial.

Angola foi o primeiro país africano beneficiário da implantação da igreja católica em África e este continente é o que tem o maior número de fiéis católicos.

Estas razões justificam por si só a viagem apostólica que Sua Santidade decidiu levar a efeito.

No que respeita a Angola há que registar além do mais que é um país de língua oficial portuguesa e uma percentagem muito significativa de angolanos tem-na como língua oficial.

O Papa Leão XIV fez as principais alocuções em português na capital, Luanda, na igreja de Nossa Senhora da Muxima, futuro santuário, e também em Saurimo, consciente da importância da língua portuguesa no mundo, a 5ª, mais falada entre as 7500 existentes e hoje também instrumento económico.

Significativo foi ainda a referência que na missa que ocorreu no local de Nossa Senhora da Muxima se ter dirigido à multidão presente em língua Kimbundu, que longamente o ovacionou ao ouvir dizer-lhe “Mamã Muxima, tueza kúkue” e Mamã Muxima, tutambululé”, ou seja, pelo que me traduziram “Mamã Muxima, viemos aqui” e “Mamã Muxima, receba-nos”

Não por acaso o Papa assumiu chamar-se Leão XIV tendo seguramente em atenção o Papa Leão XIII e a marca que este Pontífice deixou na política social da Igreja nas várias encíclicas que assinou, entre as quais a RERUM NOVARUM.

A propósito da visita de Sua Santidade a África e particularmente a Angola, saliento para além da importância dela em si mesma o facto das alocuções proferidas conterem o essencial que devia ser dito neste mundo crescentemente incerto.

Fê-lo invocando as guerras que mobilizam a atenção dos media internacionais e desde logo as que se desenvolvem no Médio Oriente e na Ucrânia e na degradação material e ambiental encorajando a juventude a contribuir para a recriação da esperança. com exigências de partilha.

A juventude “aguarda outra coisa” precisou numa das intervenções em que condenou o incentivo a políticas publicas “extrativistas” que incentivam à corrupção.

O peso da voz do Papa em defesa coerente da paz e do desenvolvimento sustentável ecoou pelos vários cantos do mundo em português.

Isso não é uma questão de somenos tanto mais que a língua portuguesa se assume de forma crescente como uma língua universal, forjada em encontros seculares de culturas.

Foi muito positivo  ver o Papa Leão XIV realizar durante o primeiro ano do seu pontificado uma visita a África, não esquecendo Angola, pais de língua oficial portuguesa e  que será no final deste século o primeiro mais populoso de entre todos os da nossa língua comum.

O apontamento que fez em Muxima na língua Kimbundu reflete a preocupação de grande proximidade com o povo que, como disse, o ovacionou.

 

Vitor Ramalho

 

 

 

Lusofonia por Vitor Ramalho