O Governo português anunciou, a 26 de julho, um novo pacote de 750 milhões de euros na linha de crédito destinada a empresas nacionais com atividade em Angola. A decisão foi formalizada pelo Primeiro-Ministro Luís Montenegro, durante uma cerimónia no Palácio das Necessidades, em Lisboa, no âmbito da visita oficial do Presidente da República de Angola, João Lourenço.
Com este montante adicional, o total de crédito atribuído nos últimos 12 meses ascende a 1,25 mil milhões de euros, representando um crescimento de 62,5%. A linha é gerida pelo Banco Português de Fomento e cobre até 85% do valor dos contratos celebrados em Angola, com garantia do Estado português.
O instrumento visa estimular a internacionalização de empresas portuguesas, com impacto direto em setores estratégicos como construção, saúde, agroalimentar, turismo e energias renováveis. De acordo com a AICEP, mais de 4.000 empresas nacionais exportam atualmente para Angola, sendo que cerca de 1.250 mantêm presença no país. Entre janeiro e maio de 2025, as exportações portuguesas para Angola cresceram aproximadamente 10%, superando a média nacional.
Durante o encontro, João Lourenço destacou a relevância do apoio português na execução de projetos de modernização em Angola. “A linha de crédito de Portugal tem ajudado a reconstruir ou construir infraestruturas de que o país necessita: estradas, pontes, unidades hospitalares, escolas, universidades e parques solares de produção de energia”, afirmou. Os projetos integram os planos do Ministério das Obras Públicas de Angola para o biénio 2024–2025.
Além do apoio financeiro, Luís Montenegro anunciou “condições preferenciais para o acesso de cidadãos angolanos ao mercado de trabalho português e à plena integração na nossa dinâmica social”. Foram ainda assinados memorandos e protocolos bilaterais nas áreas dos transportes, proteção civil, cooperação técnico-policial e promoção de investimento.
A cerimónia incluiu ainda o anúncio da condecoração de personalidades portuguesas por Angola, no contexto das celebrações dos 50 anos da independência do país, a assinalar-se a 11 de novembro de 2025. “A relação entre Angola e Portugal é como uma flor bonita: precisa sempre de ser regada”, afirmou João Lourenço.
Segundo o presidente da AICEP, Frederico Costa, a ampliação da linha de crédito “reforça a confiança institucional e posiciona Portugal como parceiro estratégico em África”. O relatório Doing Business in Angola 2025, publicado pelo Banco Mundial, destaca a evolução positiva do ambiente regulatório angolano, considerado mais transparente e previsível, fatores que facilitam o investimento estrangeiro.
O pacote anunciado é visto como um novo capítulo nas relações económicas luso-angolanas, com reflexos esperados na diplomacia económica, no crescimento empresarial e na consolidação de uma parceria que ultrapassa fronteiras e se ancora em laços históricos de cooperação.
Foto: Filipe Amorim/Lusa
