A 1 de janeiro de 1986, Portugal entrou oficialmente na Comunidade Económica Europeia (CEE), num momento decisivo para a consolidação da democracia e para a abertura do país a um novo ciclo de desenvolvimento económico, social e político. A adesão representou uma escolha estratégica que marcou profundamente o percurso nacional nas décadas seguintes.
O processo de integração europeia teve como figura central Mário Soares, que apresentou o pedido formal de adesão em 1977 e assinou o Tratado de Adesão a 12 de junho de 1985, no Mosteiro dos Jerónimos, enquanto Primeiro-Ministro. A opção europeia foi assumida como eixo estruturante da política externa portuguesa e como garantia de estabilidade democrática e modernização do país.
Durante o período negocial, o papel da diplomacia portuguesa foi determinante, com destaque para Jaime Gama, enquanto responsável pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros numa fase crucial do processo. A ação diplomática permitiu consolidar o posicionamento de Portugal junto das instituições europeias e assegurar um consenso político alargado em torno da adesão.
Ramalho Eanes, Presidente da República à época, acompanhou todo o processo como garante da estabilidade institucional, num contexto ainda marcado pela consolidação do regime democrático após o 25 de Abril.
Quarenta anos depois, a integração europeia continua a ser reconhecida como um dos marcos mais relevantes da história contemporânea de Portugal, com impacto duradouro na modernização do país, na economia, na mobilidade dos cidadãos e na projeção internacional de Portugal, incluindo junto das comunidades portuguesas no estrangeiro.
