Investigadores portugueses garantiram cerca de 20 milhões de euros em financiamento europeu para dois projetos científicos de excelência nas áreas de envelhecimento e bioengenharia, segundo divulgou o Observador em novembro de 2025.

 

Os apoios resultam das “Synergy Grants” do Conselho Europeu de Investigação (ERC), um dos programas mais prestigiados de incentivo à ciência de ponta na União Europeia.

O primeiro projeto premiado, RODIN, recebeu mais de 10 milhões de euros e é liderado por João Mano (CICECO — Universidade de Aveiro) e Nuno Araújo (CFTC – Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa). O consórcio reúne especialistas em bioengenharia, física e medicina personalizada, explorando biomateriais dinâmicos e novas estratégias de regeneração de tecidos humanos, com potencial para revolucionar terapias de reabilitação e recuperação celular.

O segundo projeto, CenAGE, também financiado com mais de 10 milhões de euros, é coordenado pela bioquímica Elsa Logarinho (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde – i3S, Universidade do Porto). A investigação foca-se nos mecanismos biológicos do envelhecimento e na instabilidade cromossómica, com vista à criação de novas terapias para doenças associadas à idade avançada, em colaboração com instituições internacionais.

Ambos os projetos integram redes de investigação europeias que incluem o Imperial College London, o Instituto Curie (França) e várias universidades portuguesas, Católica, Minho, Porto e Aveiro, além de empresas de inovação tecnológica, como a iLoF – Intelligent Lab on Fiber, ligada ao INESC TEC e à Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.

Os 20 milhões atribuídos a Portugal fazem parte de um total de 684 milhões de euros distribuídos a 66 equipas científicas na edição de 2025 do programa ERC. Segundo a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), estas bolsas representam “investimento direto em investigação de fronteira” e reforçam o estatuto de Portugal como referência europeia na investigação biomédica e interdisciplinar.

A nível nacional, a aposta em áreas como o envelhecimento saudável e a biotecnologia é complementada por iniciativas como o Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento (MIA-Portugal), sediado em Coimbra e financiado por fundos europeus, que lidera a investigação sobre envelhecimento ativo e qualidade de vida da população.

Os projetos buscam não só avanços científicos relevantes, mas também contributos diretos para a saúde, longevidade e bem-estar das populações em Portugal e na Europa.