O país assumiu compromissos reforçados de descarbonização e anunciou uma contribuição pioneira de um milhão de euros para o Fundo das Florestas Tropicais “para Sempre”, criado pelo Brasil para financiar a preservação ambiental e o combate ao desmatamento.

A delegação portuguesa foi liderada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro, acompanhado pela ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, representando o país nas principais mesas de negociação e painéis temáticos.

No discurso oficial, Luís Montenegro reafirmou o compromisso nacional de reduzir em 55% as emissões de gases com efeito de estufa até 2030 e de atingir a neutralidade climática até 2045, antecipando em cinco anos a meta estabelecida pela União Europeia.

“Portugal está totalmente empenhado em investir nas energias renováveis e suprimir progressivamente o uso de combustíveis fósseis. Pretendemos incorporar 47% de energias renováveis no consumo final até 2030”, declarou o primeiro-ministro, sublinhando que o país assume a neutralidade climática até 2045, com uma transição justa e inclusiva.

Montenegro destacou ainda que Portugal é o primeiro país europeu a aderir financeiramente ao fundo florestal global, salientando a importância da cooperação internacional e apelando à participação de grandes economias, como os Estados Unidos da América, nos compromissos ambientais multilaterais.

A ministra Maria da Graça Carvalho reforçou a importância da posição europeia nas negociações e a atuação portuguesa na transição energética.

“Era essencial chegar à COP30 com uma posição firme. A União Europeia tem liderado a ação climática, não apenas na ambição, mas também na concretização das medidas no terreno”, afirmou, acrescentando que o entendimento alcançado sobre a redução de emissões de CO₂ ilustra a determinação portuguesa, uma vez que não foi um acordo fácil, mas representa um passo importante.

Durante a conferência, Portugal integrou o grupo de 49 países que se comprometeram a reforçar estratégias de prevenção e resposta a incêndios florestais, uma medida que visa fortalecer a proteção ambiental e a resiliência das comunidades afetadas. As metas nacionais estão alinhadas com o Pacto Ecológico Europeu, mas Portugal distingue-se por antecipar o prazo de neutralidade carbónica e por investir fortemente em energias limpas, descarbonização do setor público e apoio às populações vulneráveis.

A doação de um milhão de euros e o reforço das metas de descarbonização colocam Portugal entre os principais protagonistas da COP30.