A primeira volta das eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026 definiu o confronto final entre António José Seguro e André Ventura, num cenário marcado pela fragmentação do voto, por uma participação eleitoral moderada e por diferenças relevantes entre o comportamento eleitoral em território nacional e no estrangeiro.
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António José Seguro liderou a votação com 31,1%, seguido de André Ventura, que obteve 23,5%. A distância entre os dois candidatos assegura a passagem à segunda volta, mas não define ainda um vencedor, num contexto em que uma parte significativa do eleitorado optou por outras candidaturas na primeira fase do escrutínio.
Os restantes candidatos repartiram entre si uma fatia expressiva dos votos. João Cotrim de Figueiredo alcançou 16,0%, Henrique Gouveia e Melo 12,1% e Luís Marques Mendes 11,1%, confirmando a dispersão de preferências e a inexistência de um consenso alargado em torno de uma figura presidencial à primeira volta. Catarina Martins registou 2,0%, António Filipe 1,6%, Manuel João Vieira 1,1%, Jorge Pinto 0,7%, André Pestana 0,2% e Humberto Correia 0,1%.
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A participação eleitoral fixou-se nos 52,35%, com 5.767.034 votantes entre 11.017.133 eleitores inscritos, considerando os resultados globais do território nacional e do estrangeiro, com uma taxa de apuramento de 99,82%. A abstenção, próxima de metade do eleitorado, mantém-se como um dos dados estruturais das eleições presidenciais, apesar da diversidade de candidaturas e da intensidade do debate político ao longo da campanha.
Este nível de participação reforça a importância da segunda volta como momento decisivo, não apenas para a escolha do Presidente da República, mas também para a mobilização dos eleitores que votaram noutros candidatos ou que se abstiveram na primeira votação. A transferência de votos e a capacidade de cada candidatura alargar a sua base de apoio serão determinantes para o desfecho final.
A análise dos resultados por círculos eleitorais revela diferenças relevantes entre o voto registado em território nacional e o voto dos portugueses residentes no estrangeiro. Nos círculos da emigração verificou-se uma maior concentração de votos em André Ventura, em comparação com a média nacional. Este comportamento eleitoral reflete dinâmicas próprias do voto no exterior e diferentes leituras sobre a evolução política e social do país, mais do que uma rejeição da emigração enquanto experiência pessoal.
Neste contexto, as redes sociais assumiram um papel central como principal veículo de informação ao longo da campanha, em particular junto dos eleitores residentes fora de Portugal. A dependência crescente destas plataformas como fonte primária de contacto com o debate político poderá ter influenciado padrões de voto nos círculos da emigração, num ambiente marcado pela circulação rápida de mensagens e por uma menor mediação dos meios de comunicação tradicionais.
A segunda volta das eleições presidenciais surge, assim, como um confronto entre dois projetos políticos distintos, num quadro em que a legitimidade democrática, a participação cívica e a confiança dos eleitores nas instituições estarão no centro da decisão final.
