A Secretária Executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), embaixadora Maria de Fátima Jardim, defendeu a centralidade da língua portuguesa como fator de coesão identitária, cultural e diplomática, numa aula magna proferida a 8 de setembro, durante a abertura do Curso Avançado de Defesa da CPLP.
A sessão, realizada virtualmente a convite do Ministério da Defesa do Brasil, marcou também as celebrações do 203.º aniversário da independência brasileira, sublinhando o simbolismo histórico da cooperação lusófona.
Na sua intervenção, a responsável, eleita em julho para um mandato de dois anos, afirmou que a CPLP deve assumir-se como espaço global de concertação política, afirmação cultural e cooperação multilateral.
Entre os desafios estratégicos, Maria de Fátima Jardim destacou a segurança alimentar, a transição energética, a redução das desigualdades sociais e a defesa da democracia, propondo uma nova agenda centrada na inovação, desenvolvimento humano, cooperação económica e paz.
Sublinhou ainda a importância de reforçar a internacionalização empresarial e atrair investimentos, no quadro da Agenda Estratégica 2022-2027.
“A agenda da organização deve favorecer a internacionalização das empresas, a atração de investimentos em setores estratégicos e o reforço da concertação política em defesa da democracia, da justiça social e dos direitos fundamentais dos cidadãos,” afirmou.
O Curso Avançado de Defesa, promovido pela Escola Superior de Guerra do Brasil, conta com militares e civis dos nove Estados-membros, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Realizado integralmente à distância, tem 60 horas de duração e abrange disciplinas como geopolítica, segurança, defesa, integração económica e base industrial de defesa.
Mais do que uma intervenção académica, a sessão assinalou o compromisso renovado da organização em projetar a lusofonia para além das fronteiras linguísticas, com ambição de impacto global.
