O Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP) do Círculo da China promoveu, no dia 13 de junho, no Auditório do Instituto Internacional de Macau, o seminário “Raízes e Rumo: Fortalecer o Presente, Construir o Futuro”, uma iniciativa integrada nas comemorações oficiais do “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”, que reuniu responsáveis institucionais, jovens profissionais e membros da comunidade portuguesa para debater o futuro da presença lusa no território.
A iniciativa teve como principal objetivo “promover um debate qualificado sobre o futuro da comunidade portuguesa em Macau, incentivando simultaneamente o reforço das parcerias institucionais e a valorização de uma nova geração de protagonistas da vida associativa e profissional”.
Organizado pelo Círculo da China do CCP, o encontro contou com a colaboração do Instituto Internacional de Macau, da Associação dos Jovens Macaenses e do Conselho das Comunidades Macaenses, bem como apoio da Casa de Portugal em Macau, da Associação dos Macaenses, da Associação dos Estudos da Cultura Macaense e do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.
Em declarações à Agência Incomparáveis, o presidente do CCP do Círculo da China, Rui Marcelo, destacou a forte adesão da comunidade ao encontro.
“O evento realmente teve uma assistência muito boa. O tema realmente era muito interessante e provocou um interesse inusitado na comunidade”, realçou.
Segundo este conselheiro, a resposta dos participantes confirmou a pertinência das questões colocadas em discussão e a necessidade de criar mais espaços de diálogo sobre o futuro da presença portuguesa em Macau.
Rui Marcelo sublinhou igualmente a importância da participação dos jovens convidados para integrar o painel dedicado às novas gerações.
“São realmente os novos valores, pessoas com provas dadas, profissionais de altíssima qualidade”, referiu, reforçando que “os participantes representam uma nova fase da comunidade portuguesa no território, trazendo experiências diversificadas e uma visão renovada sobre os desafios coletivos”.
“O resultado foi muito bom, foram muito assertivos, uma reação muito boa, são muito desinibidos”, acrescentou.
Na sua perspetiva, um dos aspetos mais relevantes do seminário foi a capacidade de promover o encontro entre diferentes gerações e sensibilidades.
“Houve algo de muito gratificante no final deste seminário porque tanto as instituições tradicionais, com os seus representantes na primeira mesa, como depois o debate qualificado com estes novos valores foram realmente muito dinâmicos”, salientou, além de destacar a forte participação da assistência ao longo dos trabalhos.
“A assistência manteve-se até ao final, houve uma boa interação numa secção após o debate qualificado que houve com os jovens valores”, frisou.
Debate intergeracional, novos projetos e cooperação institucional
O programa teve início com uma intervenção de enquadramento por parte de Rui Marcelo, seguindo-se a exibição de uma mensagem em vídeo do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa.
A sessão de abertura contou também com as intervenções do cônsul-geral de Portugal em Macau, Alexandre Leitão, e do presidente do Instituto Internacional de Macau, Jorge Rangel, sublinhando a importância do diálogo comunitário e da cooperação institucional.
Durante o seminário, Rui Marcelo apresentou um balanço do mandato do CCP do Círculo da China, comentando o reforço da representação institucional junto das autoridades portuguesas e locais, o acompanhamento de questões consulares e sociais, o apoio prestado em processos relacionados com nacionalidade e registos, bem como a promoção da língua e da cultura portuguesas através de diversas iniciativas comunitárias.
Entre os principais desafios identificados durante os trabalhos estiveram os atrasos nos processos de nacionalidade e registos, a necessidade de preservar a língua portuguesa entre os mais jovens e lusodescendentes e a urgência de assegurar uma efetiva renovação geracional no associativismo português em Macau.
A mesa-redonda subordinada ao tema “O Papel das Instituições da Comunidade no Futuro de Macau” reuniu Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau, Miguel de Senna Fernandes, presidente da Associação dos Macaenses, e José Luís de Sales Marques, presidente do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Macaenses.
O debate incidiu sobre os desafios que se colocam às organizações de matriz portuguesa e sobre a necessidade de adaptar as suas estruturas às exigências de uma comunidade em transformação.
Seguiu-se o painel “O Futuro da Comunidade: Visões e Propostas dos Novos Valores”, moderado por António Monteiro, presidente da Associação dos Jovens Macaenses.
Participaram nesta sessão Gilberto Camacho, André Ritchie, Elisabela Larrea e Daniel Senna Fernandes, que apresentaram propostas e reflexões sobre o papel das novas gerações na construção do futuro coletivo da comunidade portuguesa em Macau.
De acordo com comunicado do CCP na China, os intervenientes demonstraram “notável qualidade, desinibição e assertividade”, contribuindo para um debate participado e orientado para soluções concretas.
Após as apresentações, realizou-se um período de perguntas e respostas, permitindo uma interação direta entre os oradores e os participantes presentes no auditório.
Outro dos momentos relevantes do encontro foi a apresentação do protótipo do Portal da Diáspora Luso-Descendente, conduzida por José Basto da Silva, que apresentou os objetivos da futura plataforma destinada a reforçar a ligação entre comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O seminário ficou igualmente marcado pela assinatura de dois protocolos de cooperação: um entre o CCP do Círculo da China e o Instituto Internacional de Macau, “visando o aprofundamento da colaboração institucional, e outro entre o CCP-CC, o Conselho das Comunidades Macaenses e o Instituto Internacional de Macau, destinado ao desenvolvimento do Portal da Diáspora Luso-Descendente”.
No comunicado final, os participantes reconheceram de forma unânime a qualidade da iniciativa, destacando “a excelência do evento”, “a dinâmica das intervenções” e a importância de criar espaços onde possam coexistir diferentes perspectivas em torno de objetivos comuns.
Entre os testemunhos recolhidos pela organização, um dos participantes considerou que “foi um excelente evento, dos melhores que já se viram em Macau”.
“A oportunidade de dar voz a pessoas com pensamentos diferentes, mas com objetivos comuns, criou uma dinâmica fantástica. Foi sensacional. Este deve ser o primeiro de muitos eventos sobre esta temática”, acrescentou.
