Neste verão de 2025, Portugal recebe milhões de turistas estrangeiros e milhares de emigrantes que regressam para férias, sobretudo em agosto. O país destaca-se pelo reencontro com a família, festas populares e pelo retorno às praias, aldeias e cidades de origem. Entre os emigrantes, muitos vêm de França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha e Reino Unido.
No pico da estação, fronteiras e aeroportos enchem-se com os regressos das comunidades emigradas. Seja em Trás-os-Montes, Minho, Beiras ou Alentejo, agosto mantém-se como o mês por excelência para esta mobilidade, marcada pelo convívio familiar e pela palavra tão portuguesa: “saudade”.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), cerca de 47% das viagens internas de residentes têm como principal motivo a visita a familiares e amigos. Mais de 66% das dormidas ocorrem em casas de parentes ou amigos, mostrando que o regresso às origens continua a ser o principal motor das deslocações de verão.
As praias portuguesas mantêm-se entre os destinos favoritos. O Algarve lidera, tanto para residentes como para emigrantes, com cidades como Albufeira, Lagos, Tavira e Vilamoura. No Norte e na Costa Atlântica, Porto, Viana do Castelo e Figueira da Foz permanecem entre os locais preferidos, enquanto a Madeira e os Açores recebem os regressos das comunidades emigradas no Canadá e nos Estados Unidos.
As cidades históricas e culturais também atraem visitantes. Lisboa e Coimbra são procuradas por quem busca experiências urbanas, gastronomia e cultura. A cidade dos estudantes foi ainda destacada pelo The New York Times como um dos 52 destinos mundiais a visitar em 2025.
O turismo internacional confirma o interesse crescente por Portugal. Segundo o Relatório de Atividade Turística do INE (junho de 2025), entre janeiro e maio o país recebeu quase 12 milhões de hóspedes, com mais de 28 milhões de dormidas, um crescimento de 2% a 4% face a 2024. Os proveitos do setor hoteleiro atingiram 2,2 mil milhões de euros, um aumento de 8%.
O Algarve continua a ser a região mais procurada, sobretudo por estrangeiros, representando 57,4% do mercado externo, com taxas de ocupação que chegam aos 100% no verão. A Madeira surge logo a seguir, com mais de 90% de ocupação, e os Açores registaram um aumento de 7,8% nas dormidas face ao ano anterior. O Porto e Norte destacam-se pelo crescimento relativo mais elevado, com cidades como Porto e Braga em forte procura.
Relatórios internacionais reforçam estas tendências. O Travel Trends Report 2025, da Euromonitor International, posiciona Portugal no 12.º lugar mundial em experiências de bem-estar. A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) prevê taxas de ocupação entre 70% e 100% no Algarve, Madeira e Açores.
No mercado britânico, a ABTA – The Travel Association indica Portugal como o 6.º destino mais escolhido em 2025, à frente de destinos como Turquia e Croácia. Plataformas como Jetcost e Expedia colocam o país como o 3.º mais procurado na Europa para férias em agosto, apenas atrás de Espanha e Itália.
Para além do turismo de praia, novos segmentos ganham relevância, como enoturismo, turismo religioso, de natureza, náutico e termal. Muitas vezes, são os próprios emigrantes que, ao regressarem, levam familiares e amigos a descobrir regiões menos conhecidas e menos massificadas.
Entre o regresso da diáspora e a procura internacional, o verão de 2025 confirma-se como uma época económica e culturalmente relevante, marcada pelo abraço da família, pela redescoberta do país e pela celebração da identidade portuguesa, dentro e fora das fronteiras.
Legenda: Praia Alegre, Quarteira Foto: Rodrigo Matsuda
