O ESC Congress 2025, realizado em Madrid, reuniu milhares de especialistas de todo o mundo e voltou a afirmar-se como o maior congresso mundial na área da cardiologia. Portugal esteve entre os países com maior número de trabalhos e abstracts submetidos, figurando no top dez da representatividade científica.

 

Um dos momentos centrais da participação portuguesa foi a sessão “Heart failure across the Atlantic from Brazil to Portugal: different challenges, better solutions”, moderada por Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), e por Paulo Caramori, presidente do Conselho Administrativo da Sociedade Brasileira de Cardiologia. O debate centrou-se na insuficiência cardíaca, analisando desafios distintos e soluções inovadoras entre os dois países.

Na mesma sessão, Rui Baptista, diretor do Serviço de Cardiologia da Unidade Local de Saúde de Entre Douro e Vouga e co-investigador principal do estudo PORTHOS, apresentou dados epidemiológicos resultantes deste levantamento nacional sobre insuficiência cardíaca, considerado um dos mais robustos do género em Portugal.

Por sua vez, Fátima Franco, cardiologista da Unidade de Tratamento de Insuficiência Cardíaca Avançada da ULS de Coimbra e diretora do Programa para a área das Cérebro-Cardiovasculares da Direção-Geral da Saúde, destacou o modelo integrado que será implementado no país para melhorar a gestão e o tratamento destes doentes.

O estudo PORTHOS assume particular relevância, ao caracterizar a prevalência, o perfil clínico e a qualidade de vida dos doentes com insuficiência cardíaca em Portugal. Os resultados deverão servir de base a futuras políticas públicas e à definição de protocolos clínicos ajustados à realidade nacional.

Além da vertente científica, a participação portuguesa contou com forte presença de jovens investigadores, oradores e moderadores em mesas redondas, evidenciando a renovação e o dinamismo da comunidade médica. A SPC promoveu ainda um encontro informal no seu stand, reforçando as relações institucionais e o intercâmbio entre profissionais nacionais e estrangeiros.

Segundo Cristina Gavina, a representatividade de Portugal neste congresso “é essencial para a partilha de conhecimento e para o desenvolvimento de boas práticas clínicas”, sublinhando a importância de redes de cooperação internacional.

A presença portuguesa no ESC Congress 2025 reforça a visibilidade do país na cardiologia mundial, consolida a sua reputação como centro de excelência em investigação cardiovascular e abre portas a novas colaborações, investimentos e melhorias na qualidade dos cuidados de saúde em Portugal.