Francisco França, de 23 anos, natural de São João da Talha (Lisboa) e licenciado em Psicologia, concluiu uma viagem inédita: pedalou de Portugal até Moçambique, percorrendo cerca de 20 mil quilómetros por mais de 20 países ao longo de 16 meses.

 

A aventura começou a 19 de fevereiro de 2024, em Lisboa, e terminou a 14 de junho de 2025, em Maputo.

Origem da ideia e preparação

 Inspirado por relatos de viajantes e pelo convite de uma amiga que viveu em Moçambique, Francisco decidiu explorar África para “entender o que é viver longe de casa”.

Trabalhou em hostels e como promotor para juntar recursos, aprendeu mecânica básica e equipou a bicicleta com o essencial: panela, fogão a gasolina, roupas para climas distintos e alimentos rápidos.

“A ideia é muito simples: pedalar até Moçambique. O destino final é este porque tem de haver um, mas a verdadeira viagem – todos sabemos – é o caminho”, escreveu no Instagram.

Um percurso desafiante

 De Lisboa, seguiu para Espanha e embarcou em Tânger, Marrocos. Cruzou o deserto até à Mauritânia e avançou por Senegal, Gâmbia, Guiné-Bissau, Guiné-Conacri, Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana, Togo, Benim, Nigéria, Congo, Angola, Maláui, Zimbabué e Moçambique.

Enfrentou solos lamacentos, estradas perigosas e avarias constantes na bicicleta. Contraiu malária duas vezes e sofreu uma forte alergia no Senegal, o que o obrigou a paragens forçadas.

“Questionava-me se os medos da minha cabeça eram os mesmos que as queixas do meu corpo e se, com o tempo, algum deles se acostumaria a mim… E se eu me acostumaria a eles!”, relatou.

Vivências e descobertas

 Francisco destacou a hospitalidade africana, especialmente durante o Ramadão, quando era convidado a partilhar refeições. Em várias localidades, atuou como professor voluntário e recorreu ao couchsurfing, plataforma online que conecta viajantes a pessoas dispostas a oferecer gratuitamente hospedagem, para encontrar alojamento.

Provou pratos típicos como xima com frango, tomate e couve, destacando os sabores de Angola, Moçambique e Zâmbia. Também teve encontros marcantes com a fauna, incluindo gorilas.

Lições da estrada

 A experiência deixou-lhe um sentimento de superação e introspeção.

“Agora sei que consigo fazer tudo o que quiser”, disse ao jornal Expresso.

Para Francisco, a viagem foi mais do que um desafio físico: permitiu-lhe compreender a vida africana de forma autêntica, reconhecendo tanto as dificuldades económicas como a riqueza cultural.

Partilha nas redes

Durante todo o percurso, manteve-se ativo no Instagram @fm.franca, onde publicou fotografias, vídeos e reflexões sobre a jornada.

“Não sei se a minha estimativa está correta, mas serão à volta de 20.000 os quilómetros que verão a minha bicicleta passar. É ambicioso, mas não impossível”, escreveu.

Um viajante “para ouvir o mundo”

 O perfil de Francisco revela alguém com coragem, disposto a aprender, adaptar-se e contribuir por onde passa. Entre as muitas paisagens atravessadas e as histórias vividas, ficou a certeza de que o verdadeiro destino estava no caminho.