O conselheiro das Comunidades Portuguesas António Guerra Iria, eleito pela Suíça, Itália e Áustria no círculo da Europa e membro do Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CCP), fez um balanço “amplamente positivo” do Fórum “Portugal Nação Global”, considerando que a primeira edição do encontro “superou as expetativas em termos de participação empresarial e mobilização internacional”.

Em declarações à nossa reportagem, no âmbito do evento, realizado nos dias 29 e 30 de abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, António Guerra Iria destacou a forte adesão registada nesta iniciativa dedicada à ligação entre Portugal e a sua diáspora económica, sublinhando a dimensão internacional da participação empresarial.

Está muito positivo. Está a ultrapassar as expetativas”, afirmou, acrescentando que, segundo os dados disponíveis durante o evento, marcaram presença “150 ou 170 empresários que vieram da diáspora”, bem como “uma média de 300 empresários de Portugal, 50 câmaras de comércio, várias presidências de câmaras municipais e centenas de participantes”.

Para este conselheiro, os números demonstram que existe uma vontade crescente de transformar a diáspora portuguesa numa rede económica global mais organizada, com impacto direto no investimento, na internacionalização e na criação de novas oportunidades de negócio entre Portugal e os mercados externos.

Questionado sobre o contributo específico do empresariado português na Suíça para os objetivos do fórum, António Guerra Iria sublinhou o peso demográfico, económico e institucional da comunidade portuguesa no país helvético, considerando que o seu potencial continua longe de estar totalmente aproveitado.

“O empresariado português na Suíça pode contribuir, e contribuir muito, porque a comunidade portuguesa na Suíça é muito vasta, é muito grande”, afirmou.

O representante destacou particularmente a realidade do cantão de Genebra, onde reside, apontando a forte presença lusa na estrutura social e económica local.

No Cantão de Genève, mais de 15% da população é portuguesa”, referiu, acrescentando que essa presença se reflete num tecido empresarial consolidado.

Há muito comércio, há muito investimento”, sublinhou.

Na sua visão, os portugueses emigrados desempenham hoje um papel muito para além da dimensão económica, funcionando como agentes ativos de projeção internacional do país.

Os emigrantes portugueses são embaixadores. Levam a cultura, levam as empresas, levam o saber”, afirmou, defendendo que a presença portuguesa em cargos de liderança internacional confirma a capacidade de afirmação global do país.

Nós portugueses podemos orgulhar-nos de estar à frente de grandes organizações internacionais”, referiu António Guerra Iria, evocando exemplos como o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, bem como outros responsáveis portugueses, como António Costa ou Durão Barroso, que têm assumido funções de relevo em estruturas internacionais.

Quer dizer que nós, portugueses, somos bons no que fazemos”, acrescentou.

À margem do Fórum “Portugal Nação Global”, António Guerra Iria participou também na reunião do Conselho Regional da Europa do Conselho das Comunidades Portuguesas, que decorreu em Lisboa nos dias 29 e 30 de abril, no Palácio das Necessidades, atual sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

O conselheiro explicou que o encontro reuniu representantes das comunidades portuguesas de vários países europeus com o objetivo de recolher informação institucional e reforçar a ligação entre as comunidades e o Estado português.

Reuni ontem e hoje com o Conselho Regional da Europa aqui em Lisboa, onde estivemos com várias entidades, recebemos os deputados da emigração, estivemos com vários técnicos e ouvimos pessoas ligadas ao poder e a informações que nos possam dar e levar para os nossos países onde residimos”, explicou.

Segundo António Guerra Iria, o trabalho desenvolvido pelo Conselho permite garantir uma ligação mais próxima entre Portugal e os portugueses residentes no estrangeiro.

O Conselho Regional da Europa representa a Europa toda e todos os conselheiros estão aqui para levarem daqui as informações e informar as comunidades de cada um dos seus países”, concluiu.