Em Portugal, a sustentabilidade já se faz sentir em setores que antes dependiam fortemente de matérias-primas convencionais. O projeto BioShoes4All é um exemplo claro dessa transformação. A iniciativa está a mudar a forma como o calçado português é produzido, convertendo resíduos agrícolas, como caroços de azeitona, cascas de laranja e restos de vinha, em novos materiais biológicos.

 

Liderado pela APICCAPS e coordenado pelo Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP), o projeto reúne cerca de 70 parceiros entre empresas, universidades e centros de investigação. O objetivo é ambicioso: transformar o setor do calçado português num exemplo de economia circular e reduzir a dependência de recursos fósseis.

O investimento total ultrapassa os 80 milhões de euros, sendo 40 milhões financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). O projeto foca-se no desenvolvimento de novos biomateriais, em processos produtivos mais limpos e em modelos de negócio que favorecem a sustentabilidade.

Desde o seu arranque, o BioShoes4All tem apresentado resultados concretos. Já foram criadas 24 biopele, 26 biofibras e 14 novos compostos químicos com impacto ambiental reduzido. Paralelamente, estão a ser testados 29 modelos de calçado sustentável, produzidos com materiais reciclados ou biodegradáveis.

 

Inovação com assinatura portuguesa

Entre as soluções desenvolvidas, destaca-se o BioCir®flex, uma sola totalmente compostável criada pela empresa Balena em parceria com o Grupo Procalçado. Este exemplo ilustra o caminho que o setor está a percorrer, substituindo materiais sintéticos por componentes naturais e biodegradáveis.

O projeto tem também mostrado os seus resultados em palcos internacionais. Em feiras como a MICAM, em Itália, a indústria portuguesa apresentou novas linhas de calçado ecológico, provando que inovação e tradição podem coexistir.

 

Sustentabilidade como identidade nacional

O BioShoes4All não representa apenas uma mudança tecnológica. É também um movimento cultural e económico que reforça a posição de Portugal como referência global na moda sustentável. Ao unir empresas, cientistas e designers, o país dá um passo firme rumo a uma indústria mais consciente, competitiva e preparada para o futuro.