O português Jorge Viegas, presidente da Federação Internacional de Motociclismo (FIM), destacou o papel da comunidade portuguesa na Suíça, classificando-a como “um caso de sucesso” pela forma como tem consolidado a sua presença no país helvético ao longo de diferentes gerações, conquistando reconhecimento social e profissional.
Em declarações à nossa reportagem, realizadas no âmbito do Fórum “Portugal Nação Global”, realizado nos dias 29 e 30 de abril, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, e no qual Jorge Viegas interveio como um dos oradores no painel “Casos de Sucesso da Diáspora”, dedicado a percursos internacionais de portugueses com projeção global, este responsável traçou um retrato da comunidade portuguesa residente na Suíça, país onde vive há vários anos, destacando a sua relevância no atual panorama migratório português.
“A maior comunidade estrangeira na Suíça são os portugueses e a maior parte da emigração que hoje se verifica em Portugal é para a Suíça, é o destino número um”, afirmou.
Na sua análise, a presença portuguesa no país reflete diferentes gerações e perfis profissionais.
“É uma comunidade que tem dois grupos completamente distintos. Temos a emigração mais antiga, que eram trabalhadores da construção civil, choferes de táxi, empregados de hotéis, restaurantes”, referiu, antes de destacar uma nova vaga contemporânea de emigrantes altamente qualificados.
“Agora tem a nova emigração, que são jovens, muito bem preparados e que vão trabalhar para empresas tecnológicas, para a banca, para a indústria farmacêutica, há imensos portugueses”, acrescentou Jorge Viegas, que sublinhou que a integração da comunidade portuguesa no país é hoje um exemplo consolidado de afirmação internacional.
“Estão todos muito bem integrados, são muito bem vistos na Suíça e a diáspora portuguesa na Suíça é realmente um caso de sucesso”, referiu.
Apesar de reconhecer que a exigente agenda internacional lhe deixa pouco tempo para uma participação mais ativa junto da comunidade local, este dirigente admite manter algum contacto institucional.
“Em sete anos que moro em Genebra, eu devo ter passado, se calhar, sete fins de semana, porque eu estou sempre a viajar”, explicou, acrescentando que costuma participar em iniciativas consulares.
A terminar esta reflexão sobre a presença portuguesa no país, deixou uma última caracterização da comunidade lusa em território suíço.
“A comunidade portuguesa na Suíça é uma comunidade muito ativa”, disse.
Radicado em Genebra, cidade onde encontra-se a sede da Federação Internacional de Motociclismo, Jorge Viegas aproveitou ainda a entrevista para contextualizar a dimensão da organização que lidera, estabelecendo um paralelo com outras grandes estruturas do desporto mundial.
“A FIM é como a FIFA para o futebol ou a FIA para os automóveis. Portanto, criamos as regras, aplicamo-las e sancionámos quando as regras não são cumpridas”, explicou, acrescentando que a FIM desenvolve a sua atividade em três grandes áreas estratégicas.
“A FIM tem três pilares fundamentais. Um é o desporto, o desporto motociclístico. Outro é o turismo, com as concentrações de motos. E a terceira parte é a parte da mobilidade, que tem a ver com a legislação, que diz respeito às motos, às cartas de condução e isso tudo”, detalhou.
Perguntado sobre o impacto de liderar uma organização mundial enquanto português emigrado, Jorge Viegas reconheceu o simbolismo que essa representação tem junto da diáspora.
“Basta eu ser presidente da FIM para já estar a ajudar imenso, porque os portugueses que trabalham e com quem eu às vezes convivo na Suíça têm imenso orgulho de eu ser português”, afirmou.
Segundo revelou, esse reconhecimento ultrapassa largamente as fronteiras suíças e acompanha-o nas deslocações internacionais.
“Quando ando pelo mundo fora, porque o ano passado fui aos cinco continentes, vêm sempre imensos portugueses ter comigo, dizer que estão orgulhosos de terem um português à frente da FIM e do meu trabalho”, concluiu.
