A Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro marcou presença no fórum “Portugal Nação Global” com o objetivo de “reforçar a projeção internacional do território e consolidar pontes com a diáspora portuguesa”. Durante o encontro, realizado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, entre os dias 29 e 30 de abril, representantes institucionais, empresários e membros das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo debateram estratégias ligadas à economia, inovação, investimento e internacionalização.
Em entrevista exclusiva à Diáspora Lusa, Carolina Gomes, gestora de projetos no âmbito da Região de Aveiro Empreendedora na Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Aveiro, destacou o trabalho desenvolvido pelos 11 municípios que integram a referida CIM, sublinhando a tradição de cooperação regional e o esforço conjunto para tornar o território mais competitivo e atrativo. A responsável salientou ainda a importância da sustentabilidade, da inovação e da articulação em rede como pilares da estratégia regional.
Ao longo da conversa, Carolina Gomes abordou também o papel das incubadoras municipais, da Universidade de Aveiro e das estruturas empresariais locais no apoio ao empreendedorismo e ao regresso de talentos portugueses ao país. A responsável reconheceu o impacto da internacionalização das empresas da região, mas admitiu igualmente a necessidade de reforçar mecanismos de retenção de talento, sobretudo junto dos jovens qualificados formados na universidade aveirense.
Como caracteriza a Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro?
Somos 11 municípios, temos quase 400 mil habitantes, uma região com um tecido económico muito forte e com a missão de trabalhar em conjunto, com uma cooperação muito grande. A Região de Aveiro já começou a trabalhar anteriormente mesmo em conjunto dos vários municípios, com a chamada AMRia – Associação de Municípios da Ria, e há uma tradição e uma estratégia deste trabalho em rede nas diversas áreas em que a CIM trabalha.
Quais foram os objetivos da participação nesta edição do “Portugal Nação Global”?
O nosso objetivo é demonstrar a capacidade de atração do território da Região de Aveiro. É um território bastante diverso, diferentes realidades tanto económicas como ambientais, um território que aposta muito na sustentabilidade com diversos projetos nessa área e o nosso objetivo é demonstrar exatamente o trabalho que já fazemos, o trabalho que temos vindo a desenvolver para tornar a Região da Aveiro uma região cada vez mais atrativa para a diáspora.
Tem alguma estratégia para atrair o investimento da diáspora?
A Região da Aveiro trabalha o empreendedorismo e a dinamização do tecido de económico de uma forma integrada com uma rede de incubadoras de empresas – são 11 incubadoras municipais e uma incubadora da Universidade da Aveiro, mais a Universidade de Aveiro e a AIDA – Câmara de Comércio e Indústria do Distrito de Aveiro. Este trabalho e esta rede surge também para permitir apoiar a diáspora e os empresários que pretendem retornar, apoiar nas mais diferentes necessidades que possam ter. O trabalho é feito em conjunto nas mais diversas áreas e esta é uma das grandes apostas da Região de Aveiro para treinar a região mais atrativa.
Quais são os potenciais da região?
A Região de Aveiro trabalha sobretudo em quatro áreas de valorização estratégica que ficaram definidas na nossa estratégia integrada de desenvolvimento territorial, que são materiais, tecnologias de informação e comunicação, agroalimentar e floresta e mar e ria. Estas são as grandes áreas de especialização da Região de Aveiro, as grandes apostas que temos, e que refletem a realidade da própria região.
Têm conseguido atrair investimento da diáspora?
A região é por si bastante atrativa. De qualquer forma, consideramos que tanto a internacionalização para fora, mas também a maneira como vendemos o território, podemos dar o salto. Esta maneira de comunicar e o trabalho que já desenvolvemos de forma integrada podem ser promovidos de outra forma. Consideramos que, de qualquer maneira, já atraímos a diáspora, e ainda bem, mas sentimos que podemos fazer um pouco mais também para trazer um pouco mais da diáspora para a região.
Qual o peso das saídas de portugueses da região para a diáspora?
Há dois lados nessa pergunta. De uma forma positiva, temos empresas e projetos que passam além-fronteira e que conseguem vingar lá fora também com o nosso apoio, mas também temos a fuga de talento e queremos ganhar capacidade também e melhorar e reforçar a nossa capacidade de manter as pessoas connosco e o talento, principalmente, da Universidade de Aveiro, que é um grande polo de talento. Diria que temos projetos que estão a conseguir internacionalizar-se, temos fortes apostas nessa área, e queremos que continuem também connosco, que não fujam por completo.
