Ser Conselheira das Comunidades Portuguesas é, acima de tudo, assumir uma responsabilidade que não se esgota numa função representativa. É um exercício contínuo de proximidade, escuta e ligação entre realidades que, estando fora de Portugal, nunca deixam de fazer parte dele.
Ao contrário do que muitas vezes se pensa, o papel de um Conselheiro não passa pela tomada de decisões executivas. Passa, sim, por algo igualmente essencial: dar voz às comunidades, identificar desafios e contribuir para que estes cheguem às entidades competentes. É um trabalho muitas vezes discreto, mas fundamental para garantir que ninguém fica esquecido.
Neste contexto, o associativismo assume um papel central. As associações portuguesas no estrangeiro são pilares das comunidades. São espaços onde se preserva a língua, a cultura e a identidade, mas também onde se criam redes de apoio e solidariedade. São, em muitos casos, o primeiro ponto de contacto entre os cidadãos e uma estrutura organizada que os representa.
Enquanto Conselheiros das Comunidades Portuguesas, e membros consultivos do Governo Português a sua ligação com os Órgãos representativos, não deve de ser distante nem meramente formal, mas sim construída com base no diálogo permanente, na credibilidade e colaboração.
Os desafios existem e não são poucos. A dispersão geográfica, a diversidade de realidades e a limitação de meios tornam este trabalho exigente. A isto soma-se, muitas vezes, a necessidade de esclarecer o verdadeiro alcance da função de Conselheiro, que, não sendo executiva, não deixa de ser determinante na construção de pontes institucionais e na promoção de soluções.
Mas é precisamente nesses desafios que se afirma o compromisso. Ser Conselheira é estar presente, é ouvir com atenção, é insistir quando necessário e é manter uma ligação constante entre as comunidades e Portugal.
Mais do que um cargo, é uma responsabilidade cívica uma missão e compromisso. Uma responsabilidade que exige dedicação, coerência e, acima de tudo, um profundo respeito por quem representa.
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Cartas da Diáspora Sara Fernandes
