A Universidade de Coimbra (UC) e a Universidade de Macau (UM) reforçaram esta semana os seus laços de cooperação académica, científica e cultural, com a assinatura de novos acordos de colaboração que ampliam o intercâmbio entre as duas instituições e consolidam a presença do legado português no espaço jurídico e cultural de Macau.

A comitiva da UC, liderada pelo Vice-Reitor para as Relações Externas e Alumni, João Nuno Calvão da Silva, celebrou um acordo tripartido com a UM e a empresa MGM, que prevê a criação de um programa de bolsas e prémios escolares para estudantes das áreas do Direito e das Ciências Sociais. O protocolo permitirá que alunos de mestrado e doutoramento da UC realizem períodos de investigação em Macau e que estudantes da UM possam fazer o mesmo em Coimbra, com financiamento garantido pelos próximos quatro anos.

Durante a visita, teve também lugar a conferência internacional “Direito Público: Direito Internacional, Direito Constitucional e Direito Administrativo”, que reuniu docentes e investigadores de diferentes países e territórios lusófonos, incluindo os professores da Faculdade de Direito da UC Jónatas Machado e António Malheiro de Magalhães.

Outro momento marcante foi a adesão da Universidade de Macau à Cátedra UNESCO “Diálogo Intercultural em Patrimónios de Influência Portuguesa”, tutelada pela UC e coordenada pelo professor Walter Rossa. Criada em 2018, esta cátedra visa promover o diálogo entre culturas e o estudo do património de influência portuguesa em contextos históricos e geográficos diversos, envolvendo atualmente universidades da Europa, África e América Latina.

No mesmo âmbito, foi também estabelecida uma parceria para a criação de uma base de dados digital conjunta dedicada à obra de Luís de Camões, que reunirá investigação e documentação produzida pelas duas universidades.

Para João Nuno Calvão da Silva, estes novos acordos “reforçam a histórica cooperação entre Coimbra e Macau e criam condições para que o Direito de matriz portuguesa, hoje vigente no território, se possa prolongar para além de 2049, data que marca o fim do período de transição acordado entre Portugal e a China”. O vice-reitor sublinhou ainda que a parceria com a UNESCO “traduz o compromisso das instituições com os valores universais de educação, património e humanidade”.

A visita da comitiva da UC incluiu ainda um encontro com a Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra em Macau, e assinala uma nova etapa na cooperação académica entre as duas instituições, num momento em que Portugal e Macau reafirmam o valor do conhecimento, da cultura e do diálogo como pontes de entendimento entre continentes.

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