Escrevo antes das Eleições Presidenciais.

Portanto, facilmente me esquivo à análise de resultados eleitorais que poderão ser muito mais relevantes do que hoje se pode antecipar.

Mas posso abordar três ou quatro questões que tomaram relevância e de que tomei consciência durante a campanha eleitoral.

Uma, é a da inultrapassável, por enquanto, realidade de que, não obstante toda a inclusão, a figura, a aparência e a altura de um candidato tem a sua relevância embora outras características, como por exemplo a gaguez, tenha deixado de ser encarada negativamente.

Há ditados populares, há frases, que estão permanentemente no nosso subconsciente.

Outra, mais relevante, e de que não tinha noção, na arrogância dos meus 60 anos, é a  vontade expressa dos jovens (de 20 ou 30 anos) quererem rasgar o Contrato Social.

Não querem pagar as pensões dos pais, não querem saber do SNS para nada, não querem saber da pobreza e dos sem abrigo.

Acreditam que sabem sozinhos tratar da sua vida. Da sua vida  actual e futura. E, assim sendo, vai sendo tempo de discutir se vale a pena, se é adequado, alguém com setenta anos votar, decidir o que vai ser o mundo no futuro.

Ou seja, se há algum tempo se poderia pensar se um jovem que não trabalhasse ou não pagasse impostos deveria votar,  hoje poder-se-á  pensar se, na verdade, há legitimidade para fazer escolhas com impacto num futuro que já não é o nosso.

Baixando à terra, é assunto o voto electrónico.

E é assunto o voto da diáspora.

O electrónico porque não faz hoje sentido não encontrar uma fórmula segura e fácil.

O fácil porque ninguém percebe a burocracia e as falhas no voto da diáspora. Mas sempre que encontramos uma solução geramos 2 problemas.

Se a diáspora votasse com facilidade e atendendo a sua dimensão os resultados seriam outros.

E nós, melhor, os directórios partidários, não obstante os discursos bonitos, não queremos assim tanta mudança.

Poder se ia pensar numa proporção de votos da diáspora?

Não sei. O que sei é que não parecerá razoável ter quase dois milhões de portugueses a serem representados por 4 deputados quando por cá  quaisquer 20.000 ou 50.000 votos chegam para eleger um deputado…

Manuel Ferreira Ramos  Poder Local por Manuel Ferreira Ramos