Quantos de nós não crescemos numa casa ou num apartamento, mas íamos nos feriados e nas férias, com os pais, desfrutar do carinho dos avós? Bons tempos, corríamos, gritávamos a vontade, subíamos às árvores para apanhar frutos frescos, alguns comíamos à escondida ali mesmo, outros levávamos à casa, onde nos recebiam com sorrisos e elogios à altitude que chegáramos. Ou para nos esconder dos primos distantes ou outros que conhecêramos entre vizinhos distantes no espaço, mas pertos no coração, na emoção de novas trilhas “nunca dantes navegadas”.

Ahhh as receitas das avós, aquela comida cheirosa e saborosa, que nossos pais colhiam com o sorriso de quem as plantou ou regou, tratou, amou e agora saboreou e desfrutou. E com aquele brilho nos olhos de quem oferece o melhor da sua vida aos filhos amados.

A diáspora trilhou novos desafios, novas terras e venceu. O que mais queremos, se não é voltar, para férias ou longos feriados, à essas terrinhas queridas, reconstruir e melhorar aquelas casas, para nós mágicas, partilhar com os nossos filhos, netos, sobrinhos.

Mas… a terrível burocracia para melhorar o património cultural e histórico dos nossos avós enfrenta burro-cratas incríveis. Leis genéricas que querem aplicar igual a todos, independente do solo, da localização, da distância às cidades.  Total desprezo pelo interior, pela cultura local.

Todos sabem que quanto mais casas habitáveis houver no interior, com a devida higiene nas casas de banho e cozinhas, com isolamento térmico e painéis solares, mais cuidaremos do mato em volta, para evitar os incêndios do verão e as enchentes do inverno. O que é vital manter é o estilo da fachada, pois o vizinho nada perde se usarmos um pouco do furo nas semanas que lá estaremos. Ensinaremos nossos netos a, como nós, bombar a água, ao pular na roda da bomba ou buscar água à nora. Todos cuidaremos do coletivo para o melhor de todos. Se não o fizermos, perdemos a amizade dos vizinhos e a autenticidade, tenacidade e história que queremos passar à nossa prole, à diáspora vindoura.

A diáspora, ao chegar ao interior distante, traz prendas, novas tecnologias, contactos para quem puder exportar produtos de alta qualidade diretamente para a pequena loja do amigo no Luxemburgo, Brasil, Canadá, Conchinchina. Pois Portugueses fazem amigos pelo mundo e esses se encantam com os produtos de uma agricultura local e natural, com o artesanato, os vinhos, que e tudo que nos faz conhecidos e respeitados.

Devemos aprender com outros países, onde não se exige licença para melhorias em ruínas ou casas abandonadas no interior. Basta uma informação prévia e se a câmara tiver melhor sugestão, que nos ofereça. Mas, em geral, ninguém melhor do que os vizinhos para opinar o que é melhor ali na área. Muitos urbanistas na capital distante sequer já passaram onde queremos melhorar, mas querem nos obrigar a generalidades, quiçá boas para outro extremo do país ou até para algum saco azul.

YES, WE CAN, acabar com a burocracia para obras no interior! Deixar a diáspora trazer o seu querer e saber para o interior enriquecer!

Jack Soifer

 

 

Investimento em Portugal por Jack Soifer