A Área Metropolitana do Porto participou no “Portugal Nação Global” com o objetivo de “reforçar a cooperação com a diáspora portuguesa e ampliar as oportunidades de investimento nos municípios da região Norte”. O encontro, realizado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no final de abril, reuniu representantes institucionais, empresários e membros das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo para debater temas ligados à internacionalização, inovação, desenvolvimento económico e mobilidade global.

Em entrevista à Diáspora Lusa, Andreia Ferreira, secretária metropolitana com responsabilidades nas áreas do Desenvolvimento Económico, Cultura e Turismo, destacou o peso estratégico da Área Metropolitana do Porto, composta por 17 municípios e mais de 1,7 milhões de habitantes. Esta profissional sublinhou a importância da criação de redes de contacto com a diáspora, defendendo uma relação de proximidade capaz de gerar novas oportunidades económicas, troca de conhecimento e colaboração internacional entre empresas, universidades, municípios e investidores portugueses no estrangeiro.

Ao longo da conversa, Andreia Ferreira salientou ainda as vantagens competitivas da região, apontando a forte conectividade territorial, o acesso ao Porto de Leixões, ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro e à rede de transportes públicos como fatores diferenciadores para a captação de investimento. A presença de instituições como a Universidade do Porto e os institutos politécnicos foi igualmente apontada como um elemento central na atração de talento e inovação, numa altura em que a Área Metropolitana procura consolidar uma estratégia integrada de acolhimento de investidores e de regresso de quadros qualificados da diáspora.

Como caracteriza a Área Metropolitana do Porto?

A Área Metropolitana do Porto é composta por 17 municípios, mais de 1,7 milhões de pessoas. É uma entidade intermunicipal que tenta assegurar as políticas transversais.

Quais são os objetivos da participação nesta edição do “Portugal Nação Global”?

O objetivo é estabelecer e desenvolver uma rede de contactos que nos permita levar aos nossos municípios, aos nossos empresários e fazer essa rede de contactos com a diáspora também, captar investimento para os nossos municípios e desenvolver toda a rede de contactos que permita a aprendizagem de boas práticas, seja connosco, seja com quem está lá fora. No fundo, nada se faz no mundo sem os outros e connosco também, portanto, temos que ter essa colaboração e esses contactos que permite estabelecer aqui mais facilmente, conhecendo as pessoas, não é só o nome de uma entidade que aqui se apresenta, é diferente, cria-se uma empatia diferente no contacto com a pessoa.

A área metropolitana do Porto tem estratégias para a atração de investimentos de portugueses na diáspora ou está a defini-la?

Estamos a definir a estratégia. Temos, na Área Metropolitana, todas as condições para receber qualquer investidor da diáspora que vem com uma visão diferente, uma visão internacional, às vezes é bom para refrescar aqui também e para trazer coisas novas. A rede de conectividade é excelente na nossa área metropolitana, tudo está a menos de 40 minutos do aeroporto, portanto, temos o Porto de Leixões, o aeroporto Francisco Sá Carneiro, temos redes de transporte a todos os níveis, o metro, tudo está interligado. Temos uma base de conhecimento que é essencial para irem buscar quem quiser investir, temos a Universidade do Porto, os politécnicos. E, acima de tudo, no Norte as pessoas são, de facto, simpáticas, é bom viver a segurança, a gastronomia é incrível.

Em termos de investimentos da diáspora, que peso têm no investimento?   

Nós queremos, de facto, aumentar e capacitar a possibilidade de receção desse investimento e criar também a nível dos municípios as melhores políticas e boas práticas no sentido de poder receber esse investimento, porque, logicamente, que quem quer vir aqui investir também terá que ter outros benefícios, terá que haver benefícios. Aprovámos um plano de atividades e orçamento em março, já estamos a desenvolver o trabalho, mas ainda não temos o mapa estratégico desta área perfeitamente definido. Temos projetos de cada um dos municípios.

Quais são as áreas com mais potencial?

Eu penso que é a transversal, nós temos uma boa capacidade para todas as áreas de investimento. É lógico que a indústria há determinadas áreas que podem ser interessantes em determinados municípios, a nível do ambiente, da inovação, de tecnologia, não acho que haja nenhuma área que não possa aproveitar a possibilidade de desenvolvimento nos nossos municípios. Um mais do que o outro, mas teríamos que ver pontualmente para podermos encaminhar que será mais essa a função se calhar da área metropolitana, fazer esse reconhecimento que é aquilo que nós queremos fazer, é mapear o nosso território de maneira a mais facilmente permitir a cada investidor identificar o local certo para investir, identificando todas as acessibilidades, a possibilidade de onde é que têm o foco do conhecimento, onde podem ir buscar técnicos. O nosso trabalho na Área Metropolitana será facilitar isso e depois permitir a facilidade de acesso aos benefícios que possam ter, às boas práticas e fazer esse cruzamento de redes e contactos com os municípios e com outras empresas, com as universidades e os politécnicos.

Nesta região, qual o movimento de saídas para a diáspora?

Já foi muito mais do que é agora e é lógico que, mesmo os bons quadros, que, muitas vezes, e que até foram para fora, nós queremos ter agora, que eles tenham investimentos para cá estar e para voltarem.