A Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, estrutura que reúne 14 municípios e mais de 250 mil habitantes da NUT III Viseu Dão Lafões, tem vindo a consolidar uma estratégia de desenvolvimento assente na captação de investimento, na internacionalização empresarial e na valorização da diáspora portuguesa. Presente na edição deste ano do evento “Portugal Nação Global”, que decorreu no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, entre os dias 29 e 30 de abril, a CIM reforçou, em entrevista à Diáspora Lusa, a promoção do território junto de investidores e empresários portugueses espalhados pelo mundo.
O primeiro secretário executivo da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões, Nuno Martinho, destacou que o trabalho desenvolvido pela estrutura intermunicipal ultrapassa hoje a gestão de fundos comunitários, abrangendo áreas como turismo, mobilidade, educação, proteção civil, empreendedorismo e competitividade territorial. Segundo este responsável, a estratégia passa por uma articulação entre municípios, tecido empresarial e sistema científico-tecnológico, criando condições para atrair investimento e fixar talento.
A diáspora portuguesa ocupa um lugar central nessa visão estratégica. A região tem registado investimentos oriundos de países como Brasil, Suíça e França, sobretudo nas áreas do turismo, restauração, alojamento, enoturismo e agronegócio. Ao mesmo tempo, a CIM procura afirmar Viseu Dão Lafões como um território atrativo para viver, trabalhar e investir, apostando na qualidade de vida, na mobilidade, na habitação acessível e na integração das comunidades migrantes, num cenário em que a região procura transformar o regresso de emigrantes e a chegada de novos residentes em fatores de desenvolvimento económico e social.
Quais foram os objetivos da participação nesta edição do “Portugal Nação Global”?
Trouxe-nos a este evento aquilo que tem sido muito a prática da Comunidade Intermunicipal, que tem várias áreas de intervenção. Na sua criação teve muito a génese da gestão de fundos comunitários, – é o core principal da CIM na sua criação – e, a partir daí, começámos a ter um trabalho em vários domínios temáticos. No domínio do turismo, da educação, da mobilidade, do transporte, da proteção civil e da defesa da floresta, mas também numa área que, para nós, é decisiva para a competitividade do território, para a coesão social e territorial, que é não só a captação de investimento, mas também a internacionalização das nossas empresas. Por outro lado, também o empreendedorismo qualificado e a incubação dessas mesmas ideias de negócio. E temos vindo a fazer um trabalho articulado no território, aquilo que, muitas vezes, nós designamos de governança multinível, que é um trabalho onde temos um chamado triângulo virtuoso, onde juntamos a Comunidade Intermunicipal e os seus municípios, onde juntamos também o sistema científico-tecnológico ligado à questão da transferência de conhecimento, e onde juntamos a associação empresarial e as suas empresas.
E onde se enquadram os portugueses da diáspora?
Curiosamente, a nossa Comunidade Intermunicipal, em 2019, fizemos um encontro nacional da diáspora que foi exatamente em Viseu Dão Lafões e foi na cidade de Viseu. Neste domínio da captação de investimento para o nosso território, a diáspora, do ponto de vista estratégico, para nós, é fundamental. Temos um trabalho muito intenso junto dos emigrantes que estão espalhados pelos vários países, fazemo-lo quer ao nível dos municípios, mas também ao nível da Comunidade Intermunicipal. Esta presença no “Portugal Nação Global” vem fruto deste trabalho conjunto e um trabalho também junto da diáspora de mostrar o nosso território, as nossas potencialidades, aquilo que são os clusters que estão a emergir e já consolidados na nossa região. Tem havido uma aposta muito grande dos municípios no solo industrial, na infraestruturação das áreas de acolhimento empresarial, esta presença, como não poderia deixar de ser – e felicitar também a iniciativa do Governo da República e da AEP, e da forma como o fez integrando ao nível das comunidades intermunicipais e de governança multinível das comunidades intermunicipais e tendo a CIM competências próprias na captação de investimento, é muito dirigida aos investidores e aos investidores da diáspora para olharem para a nossa região como um território atrativo para residir, para visitar, mas também para investir.
Consegue dar uma ideia do peso do investimento que é feito pela diáspora?
Temos vários exemplos espalhados pelo território em diversos domínios de áreas da atividade. Ainda hoje de manhã (primeiro dia do evento) esteve aqui um investimento da diáspora que fez um investimento muito grande em Nelas, ligado à questão do terceiro setor da área social e que está interessado em fazer outro no território. Temos muitos investimentos no domínio do alojamento local, da hotelaria, também muitos investimentos ligados à questão do agroturismo e do agronegócio. São várias as áreas de intervenção que tem havido investimento por parte dos portugueses da diáspora.
São essas as áreas que identificam como as que têm maior potencial no vosso território?
Nós temos tido muitos investimentos e muita procura de investimento por parte da diáspora em áreas muito direcionadas aos serviços no domínio do turismo, da restauração. Ainda agora surgiu um grande restaurante em Penalva do Castelo que até tem o nome Flor de Sal que é um investimento de imigrantes que estavam em França. A área do turismo, da restauração, do alojamento tem sido uma área muito procurada, até porque o nosso turismo, desse ponto de vista, tem vindo a crescer a mais de dois dígitos já há dois anos.
Em termos de proveniência desse investimento, há algum país ou região que se distinga?
Brasil, muito. Temos tido muitos investimentos provenientes do Brasil e da diáspora. A Suíça também é muito forte, França também, mas é basicamente destes três países.
Fala-se muito na fuga de talentos, no vosso território há muitos portugueses a sair?
Nós consideramos que um dos grandes fatores de competitividade do nosso território é a qualidade de vida. A qualidade de vida associada a valores como a segurança e o tempo, que é, de facto, uma condição que tem sido fundamental para fixar residentes. E, ao fixar residentes, também reter talento e captar talento. E, nesse ponto de vista, temos tido um trabalho em várias áreas, nomeadamente, na habitação a custos acessíveis, muitas vezes até associado à renovação do casco urbano das vilas e das cidades, associar a habitação à questão da regeneração urbana. Uma outra área que temos dado passos significativos, que é decisiva para que a comunidade, tem vindo a ser a questão da mobilidade, do serviço público de transporte de passageiros ligado ao serviço de transporte de ir e vir que também temos. Nesta questão, esses fatores têm sido decisivos. Nós não temos vindo a diminuir os residentes e temos uma questão muito importante: somos das regiões de país que está mais a subir a percentagem da comunidade migrante. Mas isto leva-nos também a outro fator que é importante que é termos um trabalho com a nossa comunidade migrante que também é decisiva na questão da mão-de-obra para determinados setores que hoje há falta no nosso país. Uma questão também que é fundamental é quando nós olhamos para a nossa diáspora e para os nossos emigrantes e a forma como também gostamos que eles sejam recebidos nos outros países, por sermos uma região de imigrantes, também leva-nos a ter uma política pública muito assertiva, uma estratégia que estamos a ter intermunicipal no domínio da nossa comunidade migrante, no acolhimento, na receção e no contexto familiar das famílias que vêm para o nosso território.
Em termos de regressos da diáspora à região?
Há cerca de dois anos, também com um órgão de comunicação social, começou a fazer-se um trabalho muito importante, interessante, que era bons exemplos de pessoas que vieram para o nosso território. Há um programa na televisão, que é “Portugueses pelo mundo”, na RTP, e mostra os bons exemplos, e, uma altura, lançámos o desafio a um órgão de comunicação social que fizesse o exemplo ao contrário de pessoas que vieram de outros locais, nomeadamente também da diáspora, para o nosso território e que fizeram aqui a vida, alguns jovens que pegaram no negócio dos seus pais e dos seus avós, e temos muitos e bons exemplos desses, que, obviamente, também têm um efeito depois a seguir do bom exemplo e multiplicador para outros que queiram fazer o mesmo. Mas, no domínio, por exemplo, do enoturismo, da vinha e do vinho, estamos a ter muitos investimentos da diáspora.
