Comendador Pedro Manuel Pereira da Silva

Empresário e investidor com participação activa na África do Sul

Membro do Conselho de Administração do  Grupo SPAR África do Sul

Membro da Direcção do Conselho da Diáspora de Portugal e responsável pelos núcleos regionais CDP de África e das Américas.

“O grande desafio para podermos tornar as oportunidades em activos tangíveis é seguramente trabalharmos melhor em conjunto, com mais alinhamento e maior agilidade”

Como tem sido o seu percurso profissional?

O meu percurso profissional tem sido intenso, repleto de experiências diferentes, grandes desafios e bastante gratificante pelo que fui apreendendo e vivendo nos diversos países e geografias por onde passei com a minha família, pelas várias e díspares culturas onde fomos recebidos e expostos, pelas inúmeras amizades que fomos criando pelo mundo ao longo deste trajecto de quase 4 décadas, desde que saí de Alcobaça nos meus 17 anos.

O que destaca da sua carreira profissional que o levou ao estrangeiro e a exercer funções de grande responsabilidade e a liderar empresas de grande dimensão, nomeadamente na África do Sul ?

A minha carreira profissional foi sempre vivida com muito intensidade em cada uma das etapas, com total envolvimento e dedicação, sempre com grande gosto e paixão pelo que fazia, e cada passo dado teve sempre bastante importância e relevo no trajecto realizado, em qualquer dos países em que exerci funções e liderei directamente grandes organizações, nomeadamente em Portugal Continental e na Madeira, na Polónia, na Colômbia, na Rússia e na África do Sul, entre outros.

Como aconteceu a sua relação com a África do Sul?

Fui convidado para assumir o cargo de Director Geral do Pick n Pay nos anos 2018 a 2020 com sede na Cidade do Cabo na África do Sul. PnP era o segundo maior retalhista alimentar e não alimentar em África com mais de 1600 lojas, operava em 8 países e empregava cerca 100.000 funcionários.

A meio da crise pandémica Covid decidimos voltar à Europa, aonde assumi outros desafios, mas mantive sempre laços fortes de amizade e empresariais com a África do Sul em particular, bem como com outros países de África.

Em Fevereiro deste ano assumi as funções de membro do Conselho de Administração do Grupo Spar South Africa, que opera mais de 5.000 lojas em 11 países – 6 em África e adicionalmente a Suíça, a Irlanda, a Inglaterra, a Polónia e o Sri Lanka.

Como tem sido a sua interação com as comunidades Portuguesas por onde tem passado e em particular na África do Sul?

Tem sido uma relação de bastante proximidade, tentando sempre envolver nessa dinâmica as Embaixadas, os respectivos Embaixadores nos vários países, a AICEP, outras instituições e também uma relação estreita com os representantes do Conselho das Comunidades Portuguesas nas diversas geografias.

Com um conjunto de outros empresários e empresas portuguesas na Polónia, fundámos também a Câmara de Comércio Polónia-Portugal em 2008, que liderei enquanto Presidente da mesma até 2015, ano em que deixei de exercer as minhas funções profissionais na Polónia.

Houve sempre uma preocupação de promover as relações, articulando com as diversas instituições nas comunidades por onde passei, criando e desenvolvendo plataformas e veículos de comunicação, promovendo o networking , fomentando a compartilha e o suporte mútuo possível.

A comunidade de Portugueses na África do Sul é muito forte e extensa, com grande representação em Joanesburgo e na Cidade do Cabo. A recente visita do nosso Presidente da República à África do Sul, juntamente com o nosso Primeiro Ministro e outros Ministros e entidades governamentais, mostra a importância da mesma comunidade no mundo da nossa Diáspora.

Como membro da Direcção do Conselho da Diáspora de Portugal e também responsável pelos Núcleos Regionais de África, América do Norte e América do Sul, quais as suas expectativas ?

As expectativas são grandes, mas acredito muito que são possíveis de atingir.

Existem vários objectivos entre os quais realçaria – com a dinamização dos núcleos regionais do CDP recentemente criados – o aumento e consolidação da nossa Diáspora através do incremento da sua visibilidade e relevância no contexto económico e social, e alargando a nossa cobertura geográfica global. É fundamental fomentar e fortalecer o networking direto entre conselheiros e indireto entre as várias instituições, com um particular enfoque no crescimento e desenvolvimento de relações com os representantes do Conselho das comunidades de Portugal, permitindo desenvolver os projetos em curso e outros em elaboração que no seu todo suportem a missão de termos um Portugal melhor, de “cá para lá” e de “lá para cá”, nas suas várias vertentes e dimensões.

Existem oportunidades imensas, assim que consigamos continuar a fazer mais e melhor em conjunto. Levar um melhor Portugal ao mundo através de ações concretas em áreas como por exemplo a Educação, a Ciência, a Arte e Cultura, a Cidadania em geral, entre outras, e paralelamente aprender e compartilhar benchmarking internacional de casos de sucesso para potenciais aplicações em Portugal, é uma missão possível e bastante exequível.

Diria que o grande desafio para podermos tornar as oportunidades em activos tangíveis é seguramente trabalharmos melhor em conjunto, com mais alinhamento e maior agilidade entre os vários intervenientes da nossa Diáspora nos diversos Países, nas várias regiões, com uma presença extensa nos diversos continentes.

Pedro Pereira da Silva in Diáspora Lusa Magazine 8