O posicionamento de desenvolvimento de Macau como “Um Centro, Uma Plataforma e Uma Base” estabelecido pelo Estado não é apenas um reconhecimento da funcionalidade de Macau, mas também uma expectativa clara sobre o papel que Macau deve desempenhar no desenvolvimento nacional. Macau está comprometido em alinhar-se com o posicionamento de desenvolvimento estabelecido pelo Estado, contribuindo activamente para a construção de alta qualidade da iniciativa “Uma Faixa, Uma Rota”.

O objectivo é enriquecer continuamente o conteúdo da plataforma sino-lusófona, desempenhar efectivamente o papel de Macau como “elo de ligação infalível”, aprofundar as relações de cooperação internacional, participar proactivamente na construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, bem como promover com vigor o desenvolvimento das indústrias prioritárias, designadamente as de big health de medicina tradicional chinesa, finanças modernas, tecnologia de ponta e convenções, exposições e comércio e cultura e desporto, criando assim melhores condições para a fixação em Macau de empresas dos países de língua portuguesa (PLP).

Os dados da Administração Geral das Alfândegas da China revelam que o volume de comércio de mercadorias entre o Interior da China e os PLP aumentou de 11,4 mil milhões de dólares americanos, em 2003, para 225,2 mil milhões de dólares americanos, em 2024, um crescimento de quase 20 vezes. Entre estes, em 2024, o volume de comércio de mercadorias entre o Interior da China e Portugal atingiu 9,2 mil milhões de dólares americanos, tornando-se o terceiro maior país comercial entre o Interior da China e os PLP. Isto mostra que o volume de comércio entre o Interior da China e Portugal, assim como entre os nove PLP, está em constante crescimento.

Por outro lado, os dados da Direcção dos Serviços de Estatística e Censos da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) revelam que o montante total acumulado do investimento directo de Portugal em Macau ultrapassou mais de 11 mil milhões de patacas, em 2023, um aumento de três vezes mais em relação a 2002, ano anterior ao estabelecimento do Fórum de Macau. Em termos de origem directa do investimento, em 2023, Macau contava com 43 empresas com capital proveniente de Portugal.

Em entrevista à nossa reportagem, Cherry Lao, do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento da Região Administrativa Especial de Macau, IPIM, revelou as relações entre Macau, China e Portugal.

Quais são os principais objetivos do IPIM no fortalecimento das relações comerciais e de investimento entre Macau e Portugal?

Uma das funções importantes do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento da RAEM (IPIM) é promover o intercâmbio e a cooperação económica e comercial entre a China e os PLP. Para isso, seguindo as linhas de acção governativa do Governo da RAEM, o IPIM implementou, de forma ordenada, as medidas de cooperação económica anunciadas durante as seis edições da “Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau)” e a primeira “Reunião Extraordinária ministerial do Fórum entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau)”, bem como as iniciativas do Plano de Acção para a Cooperação Económica e Comercial e da Declaração Conjunta pelos Ministros dos países participantes, incluindo a construção dos “Três Centros”: “Centro de Exposição dos Produtos Alimentares dos Países de Língua Portuguesa”, o “Centro de Convenções e Exposições para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa” e o “Centro de Serviços Comerciais para as Pequenas e Médias Empresas da China e dos Países de Língua Portuguesa”.

O IPIM continua a trabalhar, realizando eventos de convenções e exposições e sessões de bolsas de contactos, proporcionando informações de mercado e consultoria necessárias sobre a “expansão de negócios no exterior” e a “atracção de investimentos” para empresas do Interior da China, empresas dos PLP, incluindo Portugal, e empresas de Macau, com o objectivo de promover um desenvolvimento bilateral sólido no domínio do comércio e investimento entre a China e os PLP, concretizando o conceito de “criar belos capítulos para contar belas histórias”.

No que se diz respeito à “atracção de investimentos”, para aumentar a visibilidade de Macau nos mercados internos e externos, incluindo Portugal, o IPIM tem divulgado informações práticas sobre negócios através de canais online e offline como “Conduta do Comércio China-PLP”, “Serviços ‘One-Stop’ para Investidores”, “Serviço Transfronteiriço de Registo Comercial na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”, “Invista Aqui”, “Guia de Investimento da Região Administrativa Especial de Macau”, “Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de língua Portuguesa” e “Pavilhão de Exposição da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”.

Através desses canais, tem expandido ainda mais a promoção do ambiente de investimento e de negócios de Macau e Hengqin e dos serviços relacionados junto dos investidores nas plataformas e transportadoras onde os visitantes comerciais se reúnem, tais como os meios de comunicação social, mais conhecidos no domínio dos investimentos, e nos voos comerciais, para possibilitar que, de forma mais conveniente, um amplo leque de investidores possa aceder a mais informações, ajudando as empresas da China e dos PLP a explorar os seus mercados e a aprofundar a cooperação económica e comercial sino-lusófona.

De que forma o IPIM tem atuado para promover a cooperação económica entre a China, incluindo Macau, e os Países de Língua Portuguesa, com destaque para Portugal?

Entre os serviços prestados pelo IPIM, o serviço “Conduta do Comércio China-PLP”, vocacionado para ajudar as empresas, instituições e indivíduos que estejam interessadas na exploração dos mercados do Interior da China e dos PLP, oferece consultoria comercial e encaminhamento, assistência na constituição de empresas em Macau, e apoio em sessões de bolsas de contactos, entre outros. Este serviço visa, por um lado, ajudar as empresas a preparar com antecedência e, por outro, auxiliá-las a enfrentar os desafios durante o processo da sua fixação e, posteriormente, apoiar as empresas na melhor integração no desenvolvimento local e na busca de parceiros de cooperação para expandir negócios.

Em 2024, 146 empresas do Interior da China, dos PLP e de Macau interessadas em explorar o mercado sino-lusófono utilizaram o serviço “Conduta do Comércio China-PLP”, com cerca de um quinto das consultas relacionadas ao mercado português. O “Serviço ‘One-Stop’ para Investidores” recebeu e concluiu o acompanhamento, em 2024, um total de três projectos vinculados a Portugal, focados em sectores como tecnologia de ponta. Além disso, em 2024, duas empresas de Macau com investimento estrangeiro português expandiram o mercado do Interior da China através do Serviço Transfronteiriço de Registo Comercial na Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin.

O trabalho conjunto em 2024 entre o Conselho Chinês para a Promoção do Comércio Internacional e o IPIM culminou na realização da “Conferência dos Empresários”, uma actividade complementar da “6.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau)”, assim como na co-organização de seis actividades de convenções e exposições, resultando na assinatura de oito documentos de cooperação técnica entre empresas, instituições e organizações da China e de Portugal.

A “Conferência dos Empresários” voltou a realizar-se em Macau após um intervalo de oito anos. O evento teve como tema “Promoção das Novas Tendências de Transformação Digital e Partilha de Novas Oportunidades para o Desenvolvimento Verde”, e contou com a presença de cerca de 700 líderes e representantes, incluindo representantes de Portugal. A participação de representantes de agências de promoção comercial, câmaras de comércio e empresas dos PLP foi particularmente activa, evidenciando o reconhecimento e a afirmação do papel da plataforma sino-lusófona de Macau.

Este evento contou também com a co-organização do Secretariado Permanente do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Macau) e com o apoio da Câmara de Comércio e Indústria de Angola (CCIA), da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), da Cabo Verde TradeInvest (CVTI), da Direcção Geral da Promoção ao Investimento Privado de Guiné-Bissau (DGPIP), da Câmara de Comércio da Guiné Equatorial, da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações de Moçambique (APIEX), da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), da Agência de Promoção de Comércio e Investimento de São Tomé e Príncipe (APCI), da Agência de Promoção do Investimento e das Exportações de Timor-Leste (TradeInvest Timor-Leste) e da Federação Empresarial da China e dos Países de Língua Portuguesa.

No que se diz respeito à “expansão de negócios no exterior”, em 2024, o IPIM realizou seis visitas de negócios a cinco PLP, durante as quais organizou actividades de promoção de investimento Macau-Hengqin e agendou mais de 330 sessões de bolsas de contactos, resultando na assinatura de 12 documentos de cooperação entre empresas do Interior da China, empresas de Macau e empresas dos PLP.

Dentre as iniciativas, destaca-se a visita a Portugal em Maio de 2024, durante a qual o IPIM e a Oeiras Valley Investment Agency (OVIA) assinaram um acordo de cooperação, ao abrigo do qual, as duas partes se comprometem a partilhar informações, criar mecanismos de coordenação e a desenvolver uma cooperação aprofundada, a fim de tirar pleno proveito das vantagens do respectivo posicionamento e de promover o contacto e o intercâmbio económico, alargar áreas de cooperação e estabelecer canais de comunicação.

Poderia destacar projetos ou iniciativas recentes que visam estreitar os laços comerciais entre empresas portuguesas e macaenses?

Para 2025, o IPIM preparou um plano de trabalho para expandir a cooperação económica e comercial entre a China e os nove PLP, incluindo a organização do “Fórum e Exposição Internacional de Cooperação Ambiental de Macau 2025” (2025MIECF) em Março, que atraiu mais de 10 empresas portuguesas e organizou 12 sessões de bolsas de contactos e assinatura de quatro projectos relacionados com Portugal. O Fórum teve o apoio do José Carlos Pimenta Machado, Presidente do Conselho Directivo da Agência Portuguesa do Ambiente, que desempenhou como um dos oradores.

Nos dias 28 e 29 de Março, foram estreadas as actividades promocionais no “Encontro” e uma série de actividades sobre experiência dos produtos dos Países de Língua Portuguesa no espaço de experiência offline de produtos dos PLP chamado “Encontro”, na cave 1 do Complexo da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

O Encontro, uma nova loja de experiência offline no “Pavilhão de Exposição da Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, reúne mais de 440 produtos de excelência dos PLP, incluindo vinhos, sardinhas, azulejos e produtos de cortiça e outros produtos culturais e criativos. O evento de dois dias atraiu 600 visitantes e organizou o contacto e negociações entre os distribuidores de produtos dos PLP e mais de 30 compradores profissionais, incluindo fornecedores de bebidas alcoólicas de Portugal que conseguiram estabelecer contactos com empresas de Macau.

De 11 a 13 de Abril, foi realizado o evento “Vamos Desfrutar – Mercado com Destaque para os Produtos do Mundo Lusófono e Macau 2025”, no Jardim do Mercado de Iao Hon, onde foram exibidos os produtos de Portugal, Brasil e outros PLP. E a participação na segunda C-PLPEX em Outubro. Em 2023, a primeira C-PLPEX atraiu cerca de 300 empresas, das quais quase 40% eram de Portugal.