Portugal participa com 215 militares na missão da ONU na República Centro-Africana, iniciada em julho de 2025. O contingente, composto sobretudo por paraquedistas, já atua na região de Bambari, com o objetivo de proteger civis, apoiar ações humanitárias e contribuir para a paz e segurança.

A 17.ª Força de Reação Rápida (QRF) da MINUSCA (Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana) iniciou a sua primeira operação plena, tendo atingido a Capacidade Operacional Total (FOC), estando totalmente preparada e equipada para cumprir qualquer missão no terreno.

Portugal participa como um dos principais contribuintes europeus, reunindo um contingente de 215 militares, maioritariamente do 2.º Batalhão de Infantaria (Regimento 10, Aveiro). A equipa inclui ainda elementos da Força Aérea, bem como especialistas em logística, informação e patrulhamento. O comando está a cargo do tenente-coronel Rui Borges.

As missões principais passam pela proteção de civis, apoio humanitário, segurança em zonas de risco, cooperação no processo de desarmamento e reintegração de combatentes, além do combate a grupos armados, sempre com enfoque em manter a segurança das populações. A atuação concentra-se sobretudo em Bambari, capital da região de Ouaka, incluindo a vigilância de pontos estratégicos como as pontes sobre o Rio Bangui Kété.

Para garantir mobilidade em terreno difícil, a força portuguesa utiliza blindados VAMTAC ST5 4×4 com sistemas de proteção avançada, veículos Pandur II 8×8 (incluindo versões de recuperação), camiões Unimog para transporte logístico e ainda drones de vigilância.

A passagem de responsabilidades entre a 16.ª e a 17.ª Força de Reação Rápida decorreu em junho. O mandato em vigor termina a 15 de novembro de 2025, mas pode ser prolongado até ao final do ano, conforme decisão das Nações Unidas.

Portugal destaca-se ainda por ser o único país europeu a disponibilizar equipas FAC/TACP, militares especializados que coordenam helicópteros e apoio aéreo, garantindo maior segurança e eficácia nas operações.

A chefe da missão da ONU, Valentine Rugwabiza, elogiou o desempenho do 15.º contingente português em outubro de 2024, sublinhando a sua coragem e contributo significativo para a estabilidade e proteção da população.

Os relatórios das Nações Unidas reconhecem os militares portugueses pelo “espírito de sacrifício e profissionalismo”, destacando também a importância da participação de mulheres militares em funções táticas e logísticas.

A missão foi criada em 2014 e conta atualmente com mais de 17 mil militares e elementos de apoio.

Portugal mantém-se como uma referência dentro da MINUSCA, valorizado pela sua prontidão, experiência e capacidade operacional. Mesmo sem ocupar cargos de comando superior, o país continua a ser um pilar da resposta rápida da ONU, contribuindo para a estabilidade e a proteção das populações na República Centro-Africana.

 

 

Foto: Forças Armadas Portugal