A Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra participou no “Portugal Nação Global” com o objetivo de “reforçar o posicionamento internacional do território junto da diáspora portuguesa e de investidores estrangeiros”. O encontro, realizado no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no final de abril, reuniu representantes institucionais, empresários e comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo para debater oportunidades ligadas ao investimento, inovação, mobilidade e desenvolvimento regional.

Em entrevista à Diáspora Lusa, Jorge Brito, secretário executivo intermunicipal da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra, destacou a dimensão e diversidade territorial da região, composta por 19 municípios e perto de meio milhão de habitantes. O responsável descreveu um território marcado pela coexistência entre áreas de montanha, como a Serra da Estrela, e zonas atlânticas, defendendo a Região de Coimbra como um espaço estratégico para viver, investir e desenvolver projetos empresariais de base tecnológica e científica.

Ao longo da conversa, Jorge Brito sublinhou ainda a aposta da região em setores como a saúde, as tecnologias espaciais, os recursos hídricos e a transferência de conhecimento, destacando a implementação de Zonas Livres Tecnológicas como uma das prioridades da estratégia regional. Este responsável referiu também o crescimento do investimento oriundo da diáspora em áreas como o turismo e o agroalimentar, defendendo uma maior valorização das redes internacionais já existentes entre a região e comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

Como caracteriza a Comunidade Intermunicipal da Região Metropolitana de Coimbra?

A Região Metropolitana de Coimbra é a maior Comunidade Intermunicipal do nosso país, são 19 municípios, perto de meio milhão de habitantes, com uma dinâmica territorial vibrante, mas também ela desafiante, uma vez que é um território que vai, literalmente, desde a maior montanha portuguesa, desde a Serra da Estrela, mas também a serra do Açor, Sicó, etc., até geografias mais costeiras na franja atlântica. É um território desafiante, o melhor território para viver e investir em Portugal.

Quais foram os objetivos da participação nesta edição do “Portugal Nação Global”?

Encontramo-nos neste certame, claramente, numa lógica de impulsionar o posicionamento perante os nossos investidores da diáspora, mas também como território de acolhimento para aqueles que quiserem investir, que quiserem viver, mas também que queiram conhecer este nosso território e esta região de Coimbra.

Qual é estratégia da vossa CIM para atrair os investimentos dos portugueses além-fronteiras?

Antes de mais, impulsionar as estreitas ligações que já possuímos hoje em dia, quer a nível de acordos bilaterais, a nível de geminações, que são mais de 70 ligações que temos hoje em dia. Portanto, transformar estes acordos em relações palpáveis, verificáveis e do “win-win” para os dois destinos. Depois, claramente, afirmar e atrair para a Região de Coimbra empresas, também talento, que é importante não só atrair, mas também reter no nosso território, e, acima de tudo, que esses investimentos contribuam para uma estratégia que, para nós, está perfeitamente identificada com áreas de investimentos identificadas.

E quais são?

No caso da saúde, que é, claramente, um foco, as tecnologias espaciais, tudo quanto é relacionado com os setores das transferências de conhecimento. Destacar aqui também as duas ZLT – Zonas Livres Tecnológicas, que, neste momento, estamos a implementar, umas para as tecnologias do espaço, outra relacionada com os recursos hídricos. Há toda uma matriz desenhada no território, que, depois, é apresentada aos nossos investidores numa lógica de impulsionar esse mesmo investimento.

Está a ser feito investimento por parte dos portugueses da diáspora na região?

Está a ser feito investimento destes portugueses da diáspora na nossa região com o nosso apoio, com o nosso suporte, nosso e de outras instituições públicas, desde investimento hoteleiro – ainda há poucos dias foi inaugurado um hotel no nosso território de um investidor da diáspora, citando só esse exemplo. O setor do agroalimentar também. Portanto, são vários exemplos que podemos referir de investimento da diáspora que está a acontecer, mas que nós queremos naturalmente mais e alavancar mais investimento.

Há algum país ou região que se distinga mais neste investimento?

Não há uma matriz. Posso dizer, por exemplo, se falarmos do turismo, há três geografias que destacam: França, Alemanha e Brasil. Se falarmos de investimento no agroalimentar, já surgem outras geografias. Não há uma matriz que diga ‘são maioritariamente daqui’, é em função da tipologia de investimento, há uma predominância daquilo que são as geografias emissoras.

Em termos de saídas desta região, como tem sido o movimento?

Hoje em dia, vivemos num mundo extremamente globalizado e, embora há quem diga que a globalização acabou, mas pelo menos um mundo onde a mobilidade é muito fácil. Ainda há poucos dias – permita-me essa história – falávamos com uma dessas pessoas que é do nosso território e que é um deputado investigador e também investidor, e quando nós começamos pensamos ‘está na Suíça?”, ele diz ‘não, já estou em Nova Iorque’. Portanto, a mobilidade hoje em dia é muito grande, o que faz com que nós, mais do que identificar as geografias onde elas estão, devemos identificar as pessoas e é esse o mapeamento que também procuramos ter.