Portugal prepara-se para viver um dos momentos mais relevantes da sua história tecnológica com o lançamento dos primeiros quatro satélites da constelação Lusíada, um projeto que coloca o país, pela primeira vez, no domínio das constelações espaciais operacionais.
O lançamento está previsto para fevereiro, seguindo-se mais oito satélites em 2026, num passo inédito para o setor espacial nacional.
Ao contrário de lançamentos anteriores, que envolveram satélites isolados ou de caráter experimental, a Lusíada representa uma constelação completa, capaz de garantir continuidade de serviço e operação simultânea. Trata-se de uma mudança de escala que posiciona Portugal num patamar tecnológico mais avançado e competitivo à escala internacional.
A constelação assenta na tecnologia AIS/VDES, utilizada para comunicações marítimas. O sistema permitirá que navios, em qualquer ponto do globo, possam enviar e receber mensagens de forma mais segura, eficiente e acessível. Para além da comunicação básica de posição e identificação, a tecnologia VDES oferece maior largura de banda e encriptação, tornando-se particularmente relevante para áreas como segurança marítima, proteção ambiental, defesa e gestão do tráfego naval.
Um dos objetivos associados à Constelação Lusíada é a criação de uma plataforma de partilha de informação marítima, permitindo sinalizar perigos, rotas congestionadas, manchas de poluição ou situações anómalas no mar. A lógica aproxima-se da de sistemas colaborativos já usados em terra, mas aplicada aos oceanos, com impacto direto na segurança e sustentabilidade marítima.
O projecto representa um investimento global de cerca de 15 milhões de euros, com financiamento maioritário através do Plano de Recuperação e Resiliência, complementado por investimento privado e da própria empresa responsável pelo desenvolvimento. Para além da vertente tecnológica, a constelação tem já impacto económico e industrial, com reforço de equipas, criação de emprego qualificado e integração progressiva de tecnologia desenvolvida em Portugal.
Existe igualmente uma dimensão simbólica associada ao projeto. Num ano em que se assinalam os 500 anos do nascimento de Luís de Camões, os primeiros quatro satélites recebem os nomes de Camões, Pessoa, Saramago e Agustina, estabelecendo uma ligação entre ciência, tecnologia e património cultural português.
Com a constelação Lusíada, Portugal afirma-se não apenas como utilizador, mas como produtor e operador de tecnologia espacial avançada, reforçando a sua presença num setor estratégico e altamente competitivo. O projeto surge como uma montra internacional das capacidades nacionais e abre caminho a futuras expansões, que poderão envolver dezenas de satélites e consolidar o país como um ator relevante no espaço europeu e global.
Fonte: AICEP
